Nova Ordem InternacionalA globalização capitalista
A integração da economia mundial não é uma tendência pós-Guerra Fria: é uma característica do capitalismo que Karl Marx, o pai do socialismo científico, já havia identificado no século XIX. O que de fato muda com o fim da Guerra Fria, da corrida armamentista, da divisão bipolar do mundo entre os Estados Unidos e a União Soviética é que essa integração ganhou dimensões nunca antes experimentadas. A globalização, como se convencionou denominar essa integração, não se dá apenas no nível da macroeconomia. Mas é, sem dúvida, a macroeconomia regida pelo grande capital, que não se submete ao pleito popular e é muitas vezes impermeável à democracia. Talvez seja a utopia do capital como bandeira anti-socialista que une mundo central e mundo periférico. Impossível pensar, hoje, em dois ou três mundos. É equivocado pensar no mundo pobre e no mundo rico separadamente. São faces diferentes de um mesmo sistema, o capitalista. As crises nas bolsas de valores, na Ásia, nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil mostram isso. Sem exceção, nos países atingidos pela crise – na verdade todos, em maior ou menor proporção – o Estado teve de intervir a fim de salvaguardar a estabilidade da economia, o que beneficiou a todos, com certeza, mas onerou significativamente a camada mais pobre da população, que arcará, no mundo inteiro, com o ônus do desemprego. O neoliberalismo, aí, não valeu. É claro que, se não houvesse a intervenção do Estado na economia – e isso aconteceu não só no Brasil, mas nos Estados Unidos, no Japão, na Alemanha, no Reino Unido, na França, nos Tigres Asiáticos, enfim em um grande número de países – a crise teria sido pior. Mas também devemos nos ater ao fato de que, se toda crise nos possibilita pensar em soluções e nos aprimora rmos, o Estado te m de estar de prontidão. Se ante a ameaça de colapso do sistema o milagre neoliberal não funcionou, devemos então pensar que ressuscitar essa prática político-econômica fracassada no século passado não é a solução; ou então teremos de arcar com as conseqüências da ressurreição de propostas que na prática não surtiram o efeito desejado, criticadas atualmente até por aqueles que só conhecem fatos isolados da História. A nova ordem internacional do fim dos anos 80 parece não se ter consolidado, pelo menos do ponto de vista político.
O fim da URSSA ordem que se estabeleceu com o fim da Guerra Fria e com a dissolução do socialismo real, inicialmente no Leste Europeu, com a desintegração da URSS, e depois no restante do mundo, colocou em xeque a situação vigente a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, caracterizada pela bipolarização do mundo, sob o ponto de vista político-ideológico, que tinha como expoentes os Estados Unidos, à frente do mundo capitalista, dito "Mundo Livre", e a URSS, no comando do mundo socialista, embora não de forma unânime, haja vista as dissidências na postura de países como a China, a Iugoslávia e a Albânia. A nova ordem é multipolar. Nela, o mundo está dividido em áreas de influência econômica. As alianças militares perderam o sentido, pelo menos no que se refere à oposição ao bloco político-ideológico antagônico. Hoje, tem lugar a expansão das alianças econômicas: União Européia, Nafta, ALCA, Mercosul, APEC. No contexto da economia globalizada, os blocos econômicos são um grande impulso para a otimização do crescimento econômico integrado. Os Estados-Nação perderam espaço para a ação das transnacionais. Extinguiu-se o embate direita-esquerda, característico do confronto leste-oeste que permeou a Guerra Fria. Se é possível identificar o início dessas transformações, sem dúvida ele tem lugar em meados da década de 80, quando Mikhail Gorbachev assumiu o poder na URSS. Com o planejamento estatal em crise desde o fim dos anos 70, com a Guerra Fria absorvendo quase 1/3 de seu orçamento, diante da não-adesão da população aos planos qüinqüenais, e com o comprometimento da máquina estatal com a cultura que se criou ao redor da corrupção, Gorbachev entendeu serem necessárias mudanças no país. Essas mudanças abrangeriam as esferas política e econômica. Era também necessário acabar com a Guerra Fria e abrir a economia do país aos investimentos externos, com os quais se poderia reorientar a tecnologia, sofisticada no setor militar, para o incipiente setor civil. A URSS tinha a capacidade de lançar mísseis intercontinentais e de manter uma estação espacial em órbita, mas era absolutamente incapaz de produzir automóveis ou eletrodomésticos de qualidade. Diante dessas necessidades, Gorbachev deu início a um amplo processo de abertura política – glasnost – e de reestruturação da economia – perestroika. A abertura política, que possibilitaria à população manifestar-se a respeito de suas necessidades, tornando-a co-autora da ação do Estado que efetivamente a representaria, possibilitou, no entanto, a eclosão de sentimentos nacionalistas, sufocados duramente durante a Guerra Fria. A reestruturação da economia, que redirecionaria a ação do planejamento estatal para o setor civil, fez vir à tona o que de fato era sabido pelo governo e pela sociedade soviética: que o planejamento estatal fora um fracasso, se não em sua totalidade, pelo menos devido à consolidação da burocracia e da maquiagem dos resultados que o Estado procurou contabilizar politicamente. O caos econômico, associado à instabilidade política, efeitos colaterais do processo de modernização do país, levaram a URSS ao fim em 1991. E diante da necessidade de manutenção da integração econômica das ex-repúblicas soviéticas, visto que ainda não gozavam de autonomia nesse setor para se inserirem no mercado internacional, criou-se a CEI – Comunidade dos Estados Independentes, que tinha também como atributo o monitoramento do arsenal da ex-URSS.
Os países pós-socialistas
Efetivamente a CEI nasceu morta. Do ponto de vista econômico, as ex-repúblicas soviéticas tomaram rumos não necessariamente concordantes. O fato é que pouco resta hoje do que já foi a segunda maior economia do mundo. As crises se sucedem. A Rússia, detentora da maior parcela do arsenal da ex-URSS, vive uma crise sem precedentes. A incerteza na sucessão do presidente Boris Yeltsin torna os investidores externos temerosos. A política econômica do Estado russo não dá conta das garantias exigidas pelo mercado internacional para a completa inserção do país. O rublo desvaloriza-se a cada dia. O Estado já pediu uma moratória. Além disso, movimentos nacionalistas eclodem em constante tensão – caso da Chechênia e, mais recentemente, do Daguestão. No resto do países que outrora se admitiam socialistas, a situação não é muito diferente. Na Europa, alguns como a Hungria, a Polônia e a República Checa vislumbram a possibilidade de ingressar na UE – União Européia; outros como as ex-repúblicas soviéticas Casaquistão, Uzbequistão e Quirguízia vêem seus governos ameaçados pela expansão do islamismo. A Coréia do Norte e Cuba amargam embargos econômicos que impedem tentativas mais concretas de ingressar no mundo sem fronteiras. Enfim, implodiu-se o mundo socialista, ou mais propriamente o socialismo real, deixando órfãos e sem orientação os partidos de esquerda; alguns até sucumbiram à proposta neoliberal.
O neoliberalismo do primeiro mundoNa Europa Ocidental, o fim do socialismo significou a aparente vitória do neoliberalismo. No início dos anos 90 a política da Europa do Oeste inclinou-se para propostas com menor participação do Estado, atribuindo ao mercado a solução de muitos problemas. Afortunadamente, a população desses países entendeu muito rápido que essa política neoliberal traria o retrocesso, e as grandes perdas seriam sentidas na área social. Na segunda metade da década de 90, a tendência neoliberal foi desbancada politicamente na Alemanha, na França, na Itália e na Inglaterra. A globalização que derruba fronteiras poderia desestabilizar a economia da Europa unida e colocá-la à mercê do capital especulativo internacional, criando espaço para a ação maior de capitais americanos. A nova ordem internacional acabou com um sem-número de conflitos diretamente ligados à ação das superpotências; mas fez surgir outros, na sua maioria de origem étnica, religiosa e nacional, que durante a Guerra Fria foram mantidos em estado latente, pois poderiam ameaçar a hegemonia das superpotências sobre determinados países ou regiões. Entre os países capitalistas, a despeito de ter-se pronunciado ainda mais a diferença entre ricos e pobres, agora Norte-Sul, vale a abertura dos mercados, o fim de restrições comerciais e a implantação de um comércio mais amplo, sob a égide da OMC – Organização Mundial do Comércio, que substituiu o GATT – General Agreement of Taxes and Trading (Acordo Geral de Tarifas e Comércio). A palavra de ordem é a inserção no mercado mundial. Os capitais estão cada vez mais livres e, perante uma variada gama de possibilidades de investimentos, deslocam-se facilmente de um país para outro, de uma economia menos atraente para outra mais atraente, até que uma outra surja, num fluxo contínuo de investimentos que se movimentam ao sabor dos ventos da economia.
O neoliberalismo nos países emergentesNo entanto, os efeitos alucinantes do mercado livre, das múltiplas possibilidades de investimento e de integração econômica acarretaram a atual crise mundial. Os países emergentes, como os Tigres Asiáticos, a Rússia, e o Brasil, sucumbiram à mobilidade do capital internacional. Dependentes de investimentos externos, esses países foram obrigados a abrir suas economias e seu mercado consumidor. No entanto, a concorrência dos produtos importados frente aos nacionais abalou o parque industrial dos países do sul, exceção feita aos Tigres Asiáticos. Seus governos, por sua vez, não responderam ao chamado neoliberal de atribuir cada vez mais ao mercado o equacionamento das questões sociais. Endividadas e com máquinas administrativas inoperantes do ponto de vista político e monetário, essas economias quebraram. O smart money – o “dinheiro esperto”, ou seja, o capital especulativo internacional – não vê nesses países amplas possibilidades de se reproduzir. Para evitar a fuga desses capitais, essenciais para a manutenção de seu tênue desenvolvimento, os países do sul queimam suas reservas cambiais, elevam as taxas de juros, agravam seus problemas sociais internos, ampliam as desigualdades, mas mantêm os investimentos externos, que não tardarão a exigir mais e mais capitais, em mero processo de especulação. O mundo sem fronteiras amplia as desigualdades. Isso está expresso no relatório das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano. Os países ricos enriquecem ainda mais, enquanto os países pobres perdem suas reservas e são obrigados a se sujeitar cada vez mais às determinações do mercado financeiro. Com a globalização da economia, há a perspectiva de uma maior integração no sentido de cooperação entre os países; mas existem os excluídos – nações que não constituem Estados nacionais. A globalização não dá conta do nacionalismo, que surge na defesa de interesses de nações apartadas do direito a um território, o que faz eclodir inúmeros conflitos políticos, étnicos, religiosos e até mesmo tribais. No mundo global não há espaço para aquelas nações que, por mais justa que seja sua reivindicação, não se constituíram como Estado e não são, portanto, economicamente viáveis. A globalização é o que o capitalismo quer, independentemente do desenvolvimento, da integração real e da mutualidade entre os povos.
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
terça-feira, 11 de setembro de 2007
O interesse americano no Oriente
A guerra contra o Islã. Se você não conhece o termo "Trateca", você terá algumas dificuldades para compreender os verdadeiros interesses que estão atualmente em jogo no Afeganistão. Inversamente, basta explicar o seu significado e você logo vai perceber que o tal "combate ao terrorismo" é só um pretexto para a intervenção dos Estados Unidos na região -- tanto quanto o "combate ao narcotráfico" serve para justificar a crescente presença militar do Tio Sam na Amazônia."Traceca" é um nome composto com as inicias, em inglês, de Corredor de Transporte Europa -- Cáucaso -- Ásia Central. Trata-se da "nova Rota da Seda" (o famoso caminho percorrido por Marco Pólo), um composto rodo-ferroviário destinado a ligar a Europa mediterrânea até a China, passando necessariamente pelo norte do Afeganistão, Ásia Central e Turquia.
A construção desse imenso complexo -- com fundos da União Européia (EU) e do Banco para o Desenvolvimento da Ásia (BDA) será combinada com a instalação de oleodutos que vão abastecer o mercado ocidental.Alguns números ajudam a ilustrar o que está em jogo. Apenas os cinco países da bacia do Cáspio -- Azerbaijão, Cazaquistão, Irã, Rússia e Turcomenistão -- possuem reservas estimadas em 200 bilhões de barris de petróleo e um volume comparável de gás. Três deles -- Azerbaijão, Casaquistão e Turcomenistão -- contém mais petróleo e gás do que o Golfo pérsico. As cinco maiores empresas petrolíferas dos Estados Unidos (Chevron, Conoco, Texaco, Móbil Oil e Unocal) concluíram ou estão concluindo uma série de acordos bilionários com esses países (exceto o Irã) para explorar suas reservas.O "Traceca", obviamente, será um componente fundamental da estruturação da economia da Eurásia no século XXl, tanto como eixo de transporte do petróleo como corredor de trocas comerciais.
O traçado da nova Rota da Seda já começou a ser discutido em uma recente conferência, realizada em Baku (capital do Azerbaijão), com a presença de 700 delegados de 30 países da Europa e da Ásia. Em termos geoestratégicos, o Afeganistão está destinado a ocupar um lugar central nessa economia, como região de passagem e contato entre o extremo asiático, o Oriente Médio e a Europa.Em grande parte, o traçado da futura rota também ajuda a explicar os conflitos entre Índia e Paquistão. Cashmira, a região atualmente em disputa entre os dois países, pode se tornar um dos pontos de passagem obrigatória da estrada, o que explica o seu imenso valor estratégico, além da questão cultural e religiosa envolvidas.
Não é para menos que as duas potências regionais quase chegaram ao confronto nuclear.Agora fica fácil entender porque que em 1992, o influente senador Robert Dole, espécie de porta-voz do stablishment republicano, declarou que as "preocupações" dos Estados Unidos quanto às reservas de petróleo e gás mundial haviam se ampliado da região do Golfo "rumo ao norte, incluindo o Cáucaso, o Casaquistão e a Sibéria". E cinco anos depois, o senador Sam Brownback fez aprovar uma nova resolução conhecida como "Estratégia da Rota da Seda", segundo a qual os Estados Unidos deveriam "ampliar a sua presença" na bacia do Cáspio, à medida em que são construídos novos oleodutos entre Oriente e Ocidente através daquela região. Mas, mesmo isso ainda é só parte da história. A "economia do petróleo" não é suficiente para explicar em toda sua abrangência o sentido estratégico da intervenção militar dos Estados Unidos no Afeganistão.Há uma questão no fundo ainda mais forte, de natureza estrutural: trata-se da conquista da hegemonia geopolítica de áreas que, historicamente ficaram sob a "esfera de influência" da Grande Mãe Rússia (czarista e, depois de 1917, bolchevique). Em 1992, o Pentágono aprovou uma resolução, intitulada Defense Planning Guidance (Guia de Planejamento de Defesa), trechos da qual foram publicados no jornal The New York Times (de 03 de agosto de 1992), que estabelece, como um de seus objetivos centrais, "neutralizar" e "impedir o renascimento" da rival Rússia.
Isso tinha, como uma das conseqüências imediatas, "ampliar a presença" dos Estados Unidos nos países que faziam parte da União Soviética, assim como nos Bálcãs e no antigo Leste europeu. Zbigniew Brzezinski, ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos e um de seus mais influentes estrategistas, arrola três razões para "neutralizar" a Rússia: é o país que liga a Europa à Ásia, é dona de vastos recursos naturais (ainda mais se contar com os países sob sua influência) e, sendo altamente instável do pnto de vista polçítico, pode permitir que novos movimentos comunistas ou nacionalistas tomem o poder, assim como provar-se incapaz de conter a "expansão islâmica".Isso explica, entre outras coisas, as críticas de Washington à guerra que a Rússia move contra a Tchetchênia. Ironicamente, os porta-vozes da Casa Branca sempre acusaram Moscou de usar o "combate ao terrorismo" com o mero pretexto para atacar os tchetchenos.
Para os porta-vozes do Tio Sam, trata-se da "velha vontade imperialista russa de dominar as fontes e as linhas de abastecimento de petróleo e gás iranianos e da bacia do mar Cáspio, e, com isso, garantir uma influência forte sobre a vida econômica de seus adversários". A Tchetchenia está "sentada" sobre um dos oleodutos-chave que ligam a Rússia a um porto do mar Negro, passando pelo Bósforo, na Turquia, e chegando ao mar Mediterrâneo. Agora, Washington usa o mesmo pretexto do "combate ao terrorismo" para instalar sua presença militar na Ásia Central, com o objetivo de "neutralizar" a rival Rússia. O verdadeiro nome do jogo é "conquista da Eurásia", pedra angular da estratégia da Casa Branca. "Cerca de 75% da população mundial vive na Eurásia, que possui a maior parte dos recursos naturais do planeta... Ali estão 60% do PIB do planeta e cerca de 75% de suas reservas conhecidas de energia... Depois dos Estados Unidos, as outras seis maiores economias e os seis maiores investidores em armas estão na Eurásia. Todos os poderes nucleares, exceto um, estão ali localizados" (v. Zbigniew Brzenzinski, The Grande Chessboard: American Primacy and its Geostrategic Imperativs, New York, Basic Books, 1997).A "conquista da Eurásia" foi também o que motivou a intervenção do Tio Sam nos Bálcãs, em particular, durante a Guerra do Kosovo, assim como a crescente instrumentalização da Otan, em detrimento da ONU.
A deposição e o julgamento de Slobodan Milosevic serviram como um "recado" de Washington à elite da Sérvia: os históricos laços de "amizade" com Moscou deveriam ser rompidos por todos aqueles que queriam ter algum futuro em suas carreiras como políticos, chefes militares ou mesmo no campo das finanças e da economia.Antes da Guerra do Kosovo, em 1994, Bill Clinton já havia manifestado sua vontade em colocar a Europa Central sob o "guarda-chuva" da Otan. Anunciou a "Parceria pela Paz", uma iniciativa que previa nada menos que a adesão de todos os países da Europa à Otan, incluindo a própria Rússia! É claro que, nesse caso, os generais de Moscou teriam que se submeter às determinações da aliança militar. À época, Mikhail Gorbatchov declarou tratar-se de uma estratégia perigosa e humilhante para os russos.
A Guerra do Kosovo fez aquilo que não foi possível com a Parceria pela Paz: estendeu as fronteiras da Otan até a fronteira com a Rússia e, de quebra, colocou a ONU completamente de escanteio. Agora, na Ásia Central, novamente a ONU é soterrada sob os escombros da ficção de uma ordem internacional minimamente representativa dos interesses de uma suposta comunidade de nações. Osama Bin Laden, desse ponto de vista, é no máximo um aprendiz de terrorista.
O texto acima é de autoria do jornalista e professor José Arbex Jr. e foi publicado no Jornal dos Professores do Sindicato dos Professores de São Paulo de outubro/novembro de 2001.
A guerra contra o Islã. Se você não conhece o termo "Trateca", você terá algumas dificuldades para compreender os verdadeiros interesses que estão atualmente em jogo no Afeganistão. Inversamente, basta explicar o seu significado e você logo vai perceber que o tal "combate ao terrorismo" é só um pretexto para a intervenção dos Estados Unidos na região -- tanto quanto o "combate ao narcotráfico" serve para justificar a crescente presença militar do Tio Sam na Amazônia."Traceca" é um nome composto com as inicias, em inglês, de Corredor de Transporte Europa -- Cáucaso -- Ásia Central. Trata-se da "nova Rota da Seda" (o famoso caminho percorrido por Marco Pólo), um composto rodo-ferroviário destinado a ligar a Europa mediterrânea até a China, passando necessariamente pelo norte do Afeganistão, Ásia Central e Turquia.
A construção desse imenso complexo -- com fundos da União Européia (EU) e do Banco para o Desenvolvimento da Ásia (BDA) será combinada com a instalação de oleodutos que vão abastecer o mercado ocidental.Alguns números ajudam a ilustrar o que está em jogo. Apenas os cinco países da bacia do Cáspio -- Azerbaijão, Cazaquistão, Irã, Rússia e Turcomenistão -- possuem reservas estimadas em 200 bilhões de barris de petróleo e um volume comparável de gás. Três deles -- Azerbaijão, Casaquistão e Turcomenistão -- contém mais petróleo e gás do que o Golfo pérsico. As cinco maiores empresas petrolíferas dos Estados Unidos (Chevron, Conoco, Texaco, Móbil Oil e Unocal) concluíram ou estão concluindo uma série de acordos bilionários com esses países (exceto o Irã) para explorar suas reservas.O "Traceca", obviamente, será um componente fundamental da estruturação da economia da Eurásia no século XXl, tanto como eixo de transporte do petróleo como corredor de trocas comerciais.
O traçado da nova Rota da Seda já começou a ser discutido em uma recente conferência, realizada em Baku (capital do Azerbaijão), com a presença de 700 delegados de 30 países da Europa e da Ásia. Em termos geoestratégicos, o Afeganistão está destinado a ocupar um lugar central nessa economia, como região de passagem e contato entre o extremo asiático, o Oriente Médio e a Europa.Em grande parte, o traçado da futura rota também ajuda a explicar os conflitos entre Índia e Paquistão. Cashmira, a região atualmente em disputa entre os dois países, pode se tornar um dos pontos de passagem obrigatória da estrada, o que explica o seu imenso valor estratégico, além da questão cultural e religiosa envolvidas.
Não é para menos que as duas potências regionais quase chegaram ao confronto nuclear.Agora fica fácil entender porque que em 1992, o influente senador Robert Dole, espécie de porta-voz do stablishment republicano, declarou que as "preocupações" dos Estados Unidos quanto às reservas de petróleo e gás mundial haviam se ampliado da região do Golfo "rumo ao norte, incluindo o Cáucaso, o Casaquistão e a Sibéria". E cinco anos depois, o senador Sam Brownback fez aprovar uma nova resolução conhecida como "Estratégia da Rota da Seda", segundo a qual os Estados Unidos deveriam "ampliar a sua presença" na bacia do Cáspio, à medida em que são construídos novos oleodutos entre Oriente e Ocidente através daquela região. Mas, mesmo isso ainda é só parte da história. A "economia do petróleo" não é suficiente para explicar em toda sua abrangência o sentido estratégico da intervenção militar dos Estados Unidos no Afeganistão.Há uma questão no fundo ainda mais forte, de natureza estrutural: trata-se da conquista da hegemonia geopolítica de áreas que, historicamente ficaram sob a "esfera de influência" da Grande Mãe Rússia (czarista e, depois de 1917, bolchevique). Em 1992, o Pentágono aprovou uma resolução, intitulada Defense Planning Guidance (Guia de Planejamento de Defesa), trechos da qual foram publicados no jornal The New York Times (de 03 de agosto de 1992), que estabelece, como um de seus objetivos centrais, "neutralizar" e "impedir o renascimento" da rival Rússia.
Isso tinha, como uma das conseqüências imediatas, "ampliar a presença" dos Estados Unidos nos países que faziam parte da União Soviética, assim como nos Bálcãs e no antigo Leste europeu. Zbigniew Brzezinski, ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos e um de seus mais influentes estrategistas, arrola três razões para "neutralizar" a Rússia: é o país que liga a Europa à Ásia, é dona de vastos recursos naturais (ainda mais se contar com os países sob sua influência) e, sendo altamente instável do pnto de vista polçítico, pode permitir que novos movimentos comunistas ou nacionalistas tomem o poder, assim como provar-se incapaz de conter a "expansão islâmica".Isso explica, entre outras coisas, as críticas de Washington à guerra que a Rússia move contra a Tchetchênia. Ironicamente, os porta-vozes da Casa Branca sempre acusaram Moscou de usar o "combate ao terrorismo" com o mero pretexto para atacar os tchetchenos.
Para os porta-vozes do Tio Sam, trata-se da "velha vontade imperialista russa de dominar as fontes e as linhas de abastecimento de petróleo e gás iranianos e da bacia do mar Cáspio, e, com isso, garantir uma influência forte sobre a vida econômica de seus adversários". A Tchetchenia está "sentada" sobre um dos oleodutos-chave que ligam a Rússia a um porto do mar Negro, passando pelo Bósforo, na Turquia, e chegando ao mar Mediterrâneo. Agora, Washington usa o mesmo pretexto do "combate ao terrorismo" para instalar sua presença militar na Ásia Central, com o objetivo de "neutralizar" a rival Rússia. O verdadeiro nome do jogo é "conquista da Eurásia", pedra angular da estratégia da Casa Branca. "Cerca de 75% da população mundial vive na Eurásia, que possui a maior parte dos recursos naturais do planeta... Ali estão 60% do PIB do planeta e cerca de 75% de suas reservas conhecidas de energia... Depois dos Estados Unidos, as outras seis maiores economias e os seis maiores investidores em armas estão na Eurásia. Todos os poderes nucleares, exceto um, estão ali localizados" (v. Zbigniew Brzenzinski, The Grande Chessboard: American Primacy and its Geostrategic Imperativs, New York, Basic Books, 1997).A "conquista da Eurásia" foi também o que motivou a intervenção do Tio Sam nos Bálcãs, em particular, durante a Guerra do Kosovo, assim como a crescente instrumentalização da Otan, em detrimento da ONU.
A deposição e o julgamento de Slobodan Milosevic serviram como um "recado" de Washington à elite da Sérvia: os históricos laços de "amizade" com Moscou deveriam ser rompidos por todos aqueles que queriam ter algum futuro em suas carreiras como políticos, chefes militares ou mesmo no campo das finanças e da economia.Antes da Guerra do Kosovo, em 1994, Bill Clinton já havia manifestado sua vontade em colocar a Europa Central sob o "guarda-chuva" da Otan. Anunciou a "Parceria pela Paz", uma iniciativa que previa nada menos que a adesão de todos os países da Europa à Otan, incluindo a própria Rússia! É claro que, nesse caso, os generais de Moscou teriam que se submeter às determinações da aliança militar. À época, Mikhail Gorbatchov declarou tratar-se de uma estratégia perigosa e humilhante para os russos.
A Guerra do Kosovo fez aquilo que não foi possível com a Parceria pela Paz: estendeu as fronteiras da Otan até a fronteira com a Rússia e, de quebra, colocou a ONU completamente de escanteio. Agora, na Ásia Central, novamente a ONU é soterrada sob os escombros da ficção de uma ordem internacional minimamente representativa dos interesses de uma suposta comunidade de nações. Osama Bin Laden, desse ponto de vista, é no máximo um aprendiz de terrorista.
O texto acima é de autoria do jornalista e professor José Arbex Jr. e foi publicado no Jornal dos Professores do Sindicato dos Professores de São Paulo de outubro/novembro de 2001.
domingo, 9 de setembro de 2007
PROVA DE HISTÓRIA
POVOS PRÉ-COLOMBIANOS
QUESTÃO 01
Leia o texto que se segue.
“As cruzadas ajudaram a despertar a Europa do seu sono feudal, espalhando sacerdotes, guerreiros,
trabalhadores e uma crescente classe de comerciantes por todo o continente; intensificaram a procura
de mercadorias estrangeiras; arrebataram a rota do Mediterrâneo das mãos dos muçulmanos e a
converteram, outra vez, na maior rota comercial entre o Oriente e o Ocidente, tal como antes.”
(HUBERMAN, Leo. História da riqueza do homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1979, p. 30. Citado por VICENTINO, Cláudio.
História Geral. São Paulo: Scipione, 1997, p.136)
O texto acima
A) demonstra que as Cruzadas obedeciam a imperativos econômicos, sendo desprovidas de caráter
religioso, como ficou provado na reconquista do Mediterrâneo pelos ocidentais.
B) denuncia o caráter belicoso da Igreja Católica medieval que, fundada em princípios eurocêntricos,
se julgava no direito de intervir nas culturas diferentes, tais como as de origem oriental.
C) aponta o caráter comercial presente no movimento cruzadista, bem como as conseqüências que o
mesmo veio acarretar à Europa Ocidental na Baixa Idade Média.
D) considera as Cruzadas o movimento fundamental que dá início ao sistema capitalista em
substituição ao feudal, pois torna possível a acumulação primitiva de capital pelo saque das riquezas
dos muçulmanos.
QUESTÃO
“É preciso ensinar aos cristãos que, se o Papa conhecesse as usurpações dos pregadores de
indulgências, ele preferiria que a Basílica de São Pedro desaparecesse em cinzas (...)”
(Martin Lutero. Citado por VICENTINO, Cláudio. História Geral. São Paulo: Scipione, 1997, p. 198)
O texto acima
A) é uma reação de Martin Lutero à sua condenação pela Igreja Católica no Concílio de Trento,
quando ele foi considerado herege e condenado à morte.
B) demonstra que a venda de indulgências era uma estratégia utilizada por bispos e padres, sem o
conhecimento nem consentimento oficial da Igreja e do Papa.
C) é parte da defesa de Lutero contra as acusações que sofreu da chamada Dieta de Worms, concílio da
Igreja Católica que o condenou pela prática de heresias.
D) é uma referência à corrupção que marcara a Igreja Católica na transição dos tempos medievais aos
tempos modernos, especialmente quanto aos meios utilizados para a construção da Basílica de São
Pedro.
1ª Etapa – PAES 2004 / Unimontes 2
QUESTÃO 03
“Era um negócio rendoso, mas de alto risco. Se alguns bandeirantes e financiadores ficavam ricos,
outros perdiam a vida e o dinheiro. Mas a ambição do lucro era tamanha que, às vezes, a vila de São
Paulo despovoava-se (...) O fascínio era grande demais. Em São Paulo não havia quem ficasse imune
ao lucro aparentemente fácil que o índio possibilitava. Exemplo disso eram os padres carmelitas que,
quando não partiam eles próprios nas bandeiras, financiavam algumas.”
(CHIAVENATO, Júlio José. Bandeirismo – Dominação e violência. São Paulo: Moderna, p. 57-59. Citado por FERREIRA,
Olavo Leonel. História do Brasil. 17 ed. São Paulo: Ática, 1995, p. 115-116)
Pode-se inferir das informações acima que
A) o bandeirismo envolvia segmentos sociais diversos, incluindo autoridades eclesiásticas, o que
denota certas ambigüidades no meio católico quanto ao tratamento a ser dispensado aos indígenas.
B) o bandeirismo se tornou atraente, no século XVII, em virtude do esgotamento das atividades
agrícolas e pastoris na Capitania de São Paulo.
C) o bandeirismo era uma atividade altamente lucrativa, aspecto fascinante para a população de São
Paulo, uma sociedade capitalista consolidada em que a ambição pelo lucro se sobrepunha aos
valores éticos e morais.
D) a atividade bandeirante se desenvolveu, integralmente, à revelia da Igreja Católica e da Coroa
Portuguesa, motivo pelo qual se tornou um fenômeno clássico da violência no Brasil colonial.
QUESTÃO 04
“Em tempo relativamente curto, apesar da resistência em diversas regiões, os espanhóis efetuaram a
tomada de um vasto território. As mais importantes conquistas foram, decerto, as dos grandes impérios
do México (a partir de 1519) e do Peru (a partir de 1530) (...) Tais impérios, altamente militarizados e
solidamente estabelecidos nas respectivas regiões, foram, num aparente paradoxo, conquistados em
poucos anos, oferecendo menos resistência do que tribos nômades ou seminômades do continente.”
(VAINFAS, Ronaldo. Economia e sociedade na América espanhola. Rio de Janeiro: Graal, 1984, p. 36-39. Citado por
RICARDO, ADHEMAR, FLÁVIO. História & Companhia. Belo Horizonte: Lê, 1998, p.111-112)
Acerca da conquista da América pelos espanhóis, é CORRETO afirmar que
A) foi facilitada pela desorganização política dos chamados povos pré-colombianos, em sua maioria
constituídos por tribos que desconheciam a vida sedentária.
B) não enfrentou resistência por parte dos “nativos”, em virtude do caráter pacífico dos europeus,
apesar de suas concepções culturais eurocêntricas.
C) foi dificultada pela ação catequética jesuítica, que “preparou o terreno”, para que os colonizadores
enfrentassem maior resistência militar, cultural ou religiosa dos “nativos”.
D) a resistência foi relativamente pequena, em virtude, entre outros fatores, das concepções fatalistas
mitológicas e religiosas que levaram os “ameríndios” a tomarem o advento dos europeus como um
fenômeno sobrenatural.
POVOS PRÉ-COLOMBIANOS
QUESTÃO 01
Leia o texto que se segue.
“As cruzadas ajudaram a despertar a Europa do seu sono feudal, espalhando sacerdotes, guerreiros,
trabalhadores e uma crescente classe de comerciantes por todo o continente; intensificaram a procura
de mercadorias estrangeiras; arrebataram a rota do Mediterrâneo das mãos dos muçulmanos e a
converteram, outra vez, na maior rota comercial entre o Oriente e o Ocidente, tal como antes.”
(HUBERMAN, Leo. História da riqueza do homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1979, p. 30. Citado por VICENTINO, Cláudio.
História Geral. São Paulo: Scipione, 1997, p.136)
O texto acima
A) demonstra que as Cruzadas obedeciam a imperativos econômicos, sendo desprovidas de caráter
religioso, como ficou provado na reconquista do Mediterrâneo pelos ocidentais.
B) denuncia o caráter belicoso da Igreja Católica medieval que, fundada em princípios eurocêntricos,
se julgava no direito de intervir nas culturas diferentes, tais como as de origem oriental.
C) aponta o caráter comercial presente no movimento cruzadista, bem como as conseqüências que o
mesmo veio acarretar à Europa Ocidental na Baixa Idade Média.
D) considera as Cruzadas o movimento fundamental que dá início ao sistema capitalista em
substituição ao feudal, pois torna possível a acumulação primitiva de capital pelo saque das riquezas
dos muçulmanos.
QUESTÃO
“É preciso ensinar aos cristãos que, se o Papa conhecesse as usurpações dos pregadores de
indulgências, ele preferiria que a Basílica de São Pedro desaparecesse em cinzas (...)”
(Martin Lutero. Citado por VICENTINO, Cláudio. História Geral. São Paulo: Scipione, 1997, p. 198)
O texto acima
A) é uma reação de Martin Lutero à sua condenação pela Igreja Católica no Concílio de Trento,
quando ele foi considerado herege e condenado à morte.
B) demonstra que a venda de indulgências era uma estratégia utilizada por bispos e padres, sem o
conhecimento nem consentimento oficial da Igreja e do Papa.
C) é parte da defesa de Lutero contra as acusações que sofreu da chamada Dieta de Worms, concílio da
Igreja Católica que o condenou pela prática de heresias.
D) é uma referência à corrupção que marcara a Igreja Católica na transição dos tempos medievais aos
tempos modernos, especialmente quanto aos meios utilizados para a construção da Basílica de São
Pedro.
1ª Etapa – PAES 2004 / Unimontes 2
QUESTÃO 03
“Era um negócio rendoso, mas de alto risco. Se alguns bandeirantes e financiadores ficavam ricos,
outros perdiam a vida e o dinheiro. Mas a ambição do lucro era tamanha que, às vezes, a vila de São
Paulo despovoava-se (...) O fascínio era grande demais. Em São Paulo não havia quem ficasse imune
ao lucro aparentemente fácil que o índio possibilitava. Exemplo disso eram os padres carmelitas que,
quando não partiam eles próprios nas bandeiras, financiavam algumas.”
(CHIAVENATO, Júlio José. Bandeirismo – Dominação e violência. São Paulo: Moderna, p. 57-59. Citado por FERREIRA,
Olavo Leonel. História do Brasil. 17 ed. São Paulo: Ática, 1995, p. 115-116)
Pode-se inferir das informações acima que
A) o bandeirismo envolvia segmentos sociais diversos, incluindo autoridades eclesiásticas, o que
denota certas ambigüidades no meio católico quanto ao tratamento a ser dispensado aos indígenas.
B) o bandeirismo se tornou atraente, no século XVII, em virtude do esgotamento das atividades
agrícolas e pastoris na Capitania de São Paulo.
C) o bandeirismo era uma atividade altamente lucrativa, aspecto fascinante para a população de São
Paulo, uma sociedade capitalista consolidada em que a ambição pelo lucro se sobrepunha aos
valores éticos e morais.
D) a atividade bandeirante se desenvolveu, integralmente, à revelia da Igreja Católica e da Coroa
Portuguesa, motivo pelo qual se tornou um fenômeno clássico da violência no Brasil colonial.
QUESTÃO 04
“Em tempo relativamente curto, apesar da resistência em diversas regiões, os espanhóis efetuaram a
tomada de um vasto território. As mais importantes conquistas foram, decerto, as dos grandes impérios
do México (a partir de 1519) e do Peru (a partir de 1530) (...) Tais impérios, altamente militarizados e
solidamente estabelecidos nas respectivas regiões, foram, num aparente paradoxo, conquistados em
poucos anos, oferecendo menos resistência do que tribos nômades ou seminômades do continente.”
(VAINFAS, Ronaldo. Economia e sociedade na América espanhola. Rio de Janeiro: Graal, 1984, p. 36-39. Citado por
RICARDO, ADHEMAR, FLÁVIO. História & Companhia. Belo Horizonte: Lê, 1998, p.111-112)
Acerca da conquista da América pelos espanhóis, é CORRETO afirmar que
A) foi facilitada pela desorganização política dos chamados povos pré-colombianos, em sua maioria
constituídos por tribos que desconheciam a vida sedentária.
B) não enfrentou resistência por parte dos “nativos”, em virtude do caráter pacífico dos europeus,
apesar de suas concepções culturais eurocêntricas.
C) foi dificultada pela ação catequética jesuítica, que “preparou o terreno”, para que os colonizadores
enfrentassem maior resistência militar, cultural ou religiosa dos “nativos”.
D) a resistência foi relativamente pequena, em virtude, entre outros fatores, das concepções fatalistas
mitológicas e religiosas que levaram os “ameríndios” a tomarem o advento dos europeus como um
fenômeno sobrenatural.
Povos Pré-colombianos
Quando Colombo chegou à América, em 1492, encontrou o continente habitado há muito tempo por várias civilizações e povos. Os povos pré-colombianos apresentavam diferentes estágios de desenvolvimento cultural e material, classificados em: sociedades de coletores/caçadores e sociedades agrárias. Dentro desse segundo grupo, três culturas merecem maior destaque: os maias e os astecas, no México e América Central, e os incas na Cordilheira dos Andes, na América do Sul. Alcançaram notáveis conhecimentos de astronomia e matemática, além de dominar técnicas complexas de construção, metalurgia e cerâmica. Não conheciam a roda e o cavalo, mas desenvolveram técnicas eficientes de agricultura. Enquanto o fim da cultura maia é até hoje um mistério, sabemos que os povos astecas e incas decaíram perante à conquista espanhola.
--------- MAIAS ------------
As cidades maias
A civilização maia organizou-se como uma federação de cidades-estado e atingiu seu apogeu no século IV. Nesta época, começou a expansão maia, a partir das cidades de Uaxactún e Tikal. Os maias fundaram Palenque, Piedras Negras e Copán. Entre os séculos X e XII, destacou-se a Liga de Mayapán, formada pela aliança entre as cidades de Chichén Itzá, Uxmal e Mayapán. Esta tripla aliança constituiu um império, que teve sob o seu domínio outras doze cidades. O conjunto da cidade era considerado um templo. Os edifícios eram construídos com grandes blocos de pedra adornados com esculturas e altos-relevos, como os de Uaxactún e Copán.
Os ritos
Só podiam subir aos templos os sacerdotes, que formavam a classe mais culta. Os maias acreditavam descender de um totem e eram politeístas. A influência dos toltecas introduziu certas práticas cerimoniais sangrentas, pouco antes da decadência dos maias. Adoravam a natureza, em particular os animais, as plantas e as pedras. Cuidavam de seus mortos, colocando-os em urnas de cerâmica.
O calendário maia e a escrita
Os avançados conhecimentos que os maias possuíam sobre astronomia (eclipses solares e movimentos dos planetas) e matemática lhes permitiram criar um calendário cíclico de notável precisão. Na realidade, são dois
calendários sobrepostos: o tzolkin, de 260 dias, e o haab de 365. O haab era dividido em dezoito meses de vinte dias, mais cinco dias livres. Para datar os acontecimentos utilizavam a "conta curta", de 256 anos, ou então a "conta longa" que principiava no início da era maia. Além disso, determinaram com notável exatidão o ano lunar, a trajetória de Vênus e o ano solar (365, 242 dias).Inventaram um sistema de numeração com base 20 e tinham noção do número zero, ao qual atribuíram um símbolo. Os maias utilizavam uma escrita hieroglífica que ainda não foi totalmente decifrada.
A arte
A arte maia expressa-se, sobretudo, na arquitetura e na escultura. Suas monumentais construções — como a torre de Palenque, o observatório astronômico de El Caracol ou os palácios e pirâmides de Chichén Itzá, Palenque, Copán e Quiriguá — eram adornadas com elegantes esculturas, estuques e relevos. Podemos contemplar sua pintura nos grandes murais coloridos dos palácios. Utilizavam várias cores. As cenas tinham motivos religiosos ou históricos. Destacam-se os afrescos de Bonampak e Chichén Itzá. Também realizavam representações teatrais em que participavam homens e mulheres com máscaras, representando animais.
-------- ASTECAS -----------
O Império Asteca
Os astecas pagavam tributos à tribo tepaneca de Atzcapotzalco. Em 1440, a agressividade dessa tribo causou o surgimento de uma tríplice aliança entre as cidades de Tenochtitlán, Texcoco e Tlacopán, que derrotou os tepanecas e iniciou sua expansão territorial pela zona ocidental do vale do México. Sob o reinado de Montezuma I, o Velho, os astecas tornaram-se um povo temido e vitorioso, ampliando seus domínios em mais de 200 quilômetros. Axayácatl, o sucessor de Montezuma, em 1469, conquistou a cidade de Tlatetolco e o vale de Toluca.
O Império ampliou seus limites ao máximo sob o reinado de Ahuízotl, que impôs sua soberania sobre Tehuantepec, Oaxaca e parte da Guatemala. Em 1519, sob o reinado de Montezuma II, houve o primeiro encontro com os conquistadores espanhóis.
Os nobres
A sociedade asteca era rigidamente dividida. O grupo social dos pipiltin (nobreza) era formada pela família real, sacerdotes, chefes de grupos guerreiros — como os Jaguares e as Águias — e chefes dos calpulli. Podiam participar também alguns plebeus (macehualtin) que tivessem realizado algum ato extraordinário. Tomar chocolate quente era um privilégio da nobreza. O resto da população era constituída de lavradores e artesãos. Havia, também,
escravos (tlacotin).
A religião
A religião asteca era politeísta, embora tivesse poucos deuses. Os principais eram vinculados ao ciclo solar e à atividade agrícola. O deus mais venerado era Quetzalcóatl, a serpente emplumada, criador do homem, protetor da vida e da fertilidade. Os sacerdotes eram um poderoso grupo social, encarregado de orientar a educação dos nobres, fazer previsões e dirigir as cerimônias rituais. A religiosidade asteca incluía a prática de sacrifícios. O derramamento de sangue e a oferenda do coração de animais ou de seres humanos eram ritos imprescindíveis para satisfazer os deuses.
---------- INCAS ------------
As fortalezas incas
Os edifícios incas se caracterizam pela monumentalidade e sobriedade. Suas cidades eram verdadeiras fortalezas, construídas com grandes muralhas de pedra. Os incas eram mestres em cortar e unir grandes blocos de pedra; a cidade-fortaleza de Machu Picchu é o exemplo mais espetacular dessa arte. Machu- Picchu foi descoberta em 1911, no topo de uma montanha de 2.400 m de altura, numa região inacessível da cordilheira dos Andes. Outras construções incas importantes ficam em Cuzco e Pisac. Cuzco, a capital do Império, tem uma rígida planificação urbana em forma quadriculada.
Formas de vida
A organização social inca era muito hierarquizada. No topo estava o Inca (filho do Sol), que era o imperador; depois a alta aristocracia, à qual pertenciam os sacerdotes, burocratas e os curacas (cobradores de impostos, chefes locais, juízes e comandantes militares); camadas médias, artesãos e demais militares; e finalmente camponeses e escravos. Os camponeses eram recrutados para lutar no exército, realizar as tarefas da colheita ou trabalhar na construção das cidades, segundo a vontade do Inca. A família patriarcal era a base da sociedade, mas até os casamentos dependiam da autoridade
máxima. O sistema penal era rígido e o sistema político extremamente despótico.
O trabalho agrícola
A terra era propriedade do Inca (imperador) e repartida entre seus súditos. As terras reservadas ao Inca e aos sacerdotes eram cultivadas pelos camponeses, que recebiam também terras suficientes para subsistir. A agricultura era a base da economia inca; a ela se dedicavam os habitantes plebeus das aldeias. Baseava-se no cultivo de um cereal, o milho, e um tubérculo, a batata. As técnicas agrícolas eram rudimentares, já que desconheciam o arado. Para semear utilizava um bastão pontiagudo. Os campos eram irrigados por meio de um sistema formado por diques, canais e aquedutos. Utilizava-se
como adubo o guano, esterco produzido pelas aves marinhas. Possuíam rebanhos imensos de lhamas e vicunhas, que lhes forneciam lã.
Cultura e religião
O idioma quéchua serviu de instrumento unificador do império inca. Como não tinham escrita, a cultura era transmitida oralmente. Com um conjunto de nós e barbantes coloridos, chamados quipos, os incas desenvolveram um engenhoso sistema de contabilidade. Na matemática, utilizavam o sistema numérico decimal. Os artesãos eram peritos no trabalho com o ouro. Mesmo sem conhecer o torno, alcançaram um bom domínio da cerâmica. Seus vasos tinham complicadas formas geométricas e de animais, ou uma combinação de ambas. A religião inca era uma mistura de culto à natureza (sol, terra, lua, mar e montanhas) e crenças mágicas. Os maiores templos eram dedicados ao Sol (Inti). Realizavam sacrifícios tanto de animais como de humanos.
Quando Colombo chegou à América, em 1492, encontrou o continente habitado há muito tempo por várias civilizações e povos. Os povos pré-colombianos apresentavam diferentes estágios de desenvolvimento cultural e material, classificados em: sociedades de coletores/caçadores e sociedades agrárias. Dentro desse segundo grupo, três culturas merecem maior destaque: os maias e os astecas, no México e América Central, e os incas na Cordilheira dos Andes, na América do Sul. Alcançaram notáveis conhecimentos de astronomia e matemática, além de dominar técnicas complexas de construção, metalurgia e cerâmica. Não conheciam a roda e o cavalo, mas desenvolveram técnicas eficientes de agricultura. Enquanto o fim da cultura maia é até hoje um mistério, sabemos que os povos astecas e incas decaíram perante à conquista espanhola.
--------- MAIAS ------------
As cidades maias
A civilização maia organizou-se como uma federação de cidades-estado e atingiu seu apogeu no século IV. Nesta época, começou a expansão maia, a partir das cidades de Uaxactún e Tikal. Os maias fundaram Palenque, Piedras Negras e Copán. Entre os séculos X e XII, destacou-se a Liga de Mayapán, formada pela aliança entre as cidades de Chichén Itzá, Uxmal e Mayapán. Esta tripla aliança constituiu um império, que teve sob o seu domínio outras doze cidades. O conjunto da cidade era considerado um templo. Os edifícios eram construídos com grandes blocos de pedra adornados com esculturas e altos-relevos, como os de Uaxactún e Copán.
Os ritos
Só podiam subir aos templos os sacerdotes, que formavam a classe mais culta. Os maias acreditavam descender de um totem e eram politeístas. A influência dos toltecas introduziu certas práticas cerimoniais sangrentas, pouco antes da decadência dos maias. Adoravam a natureza, em particular os animais, as plantas e as pedras. Cuidavam de seus mortos, colocando-os em urnas de cerâmica.
O calendário maia e a escrita
Os avançados conhecimentos que os maias possuíam sobre astronomia (eclipses solares e movimentos dos planetas) e matemática lhes permitiram criar um calendário cíclico de notável precisão. Na realidade, são dois
calendários sobrepostos: o tzolkin, de 260 dias, e o haab de 365. O haab era dividido em dezoito meses de vinte dias, mais cinco dias livres. Para datar os acontecimentos utilizavam a "conta curta", de 256 anos, ou então a "conta longa" que principiava no início da era maia. Além disso, determinaram com notável exatidão o ano lunar, a trajetória de Vênus e o ano solar (365, 242 dias).Inventaram um sistema de numeração com base 20 e tinham noção do número zero, ao qual atribuíram um símbolo. Os maias utilizavam uma escrita hieroglífica que ainda não foi totalmente decifrada.
A arte
A arte maia expressa-se, sobretudo, na arquitetura e na escultura. Suas monumentais construções — como a torre de Palenque, o observatório astronômico de El Caracol ou os palácios e pirâmides de Chichén Itzá, Palenque, Copán e Quiriguá — eram adornadas com elegantes esculturas, estuques e relevos. Podemos contemplar sua pintura nos grandes murais coloridos dos palácios. Utilizavam várias cores. As cenas tinham motivos religiosos ou históricos. Destacam-se os afrescos de Bonampak e Chichén Itzá. Também realizavam representações teatrais em que participavam homens e mulheres com máscaras, representando animais.
-------- ASTECAS -----------
O Império Asteca
Os astecas pagavam tributos à tribo tepaneca de Atzcapotzalco. Em 1440, a agressividade dessa tribo causou o surgimento de uma tríplice aliança entre as cidades de Tenochtitlán, Texcoco e Tlacopán, que derrotou os tepanecas e iniciou sua expansão territorial pela zona ocidental do vale do México. Sob o reinado de Montezuma I, o Velho, os astecas tornaram-se um povo temido e vitorioso, ampliando seus domínios em mais de 200 quilômetros. Axayácatl, o sucessor de Montezuma, em 1469, conquistou a cidade de Tlatetolco e o vale de Toluca.
O Império ampliou seus limites ao máximo sob o reinado de Ahuízotl, que impôs sua soberania sobre Tehuantepec, Oaxaca e parte da Guatemala. Em 1519, sob o reinado de Montezuma II, houve o primeiro encontro com os conquistadores espanhóis.
Os nobres
A sociedade asteca era rigidamente dividida. O grupo social dos pipiltin (nobreza) era formada pela família real, sacerdotes, chefes de grupos guerreiros — como os Jaguares e as Águias — e chefes dos calpulli. Podiam participar também alguns plebeus (macehualtin) que tivessem realizado algum ato extraordinário. Tomar chocolate quente era um privilégio da nobreza. O resto da população era constituída de lavradores e artesãos. Havia, também,
escravos (tlacotin).
A religião
A religião asteca era politeísta, embora tivesse poucos deuses. Os principais eram vinculados ao ciclo solar e à atividade agrícola. O deus mais venerado era Quetzalcóatl, a serpente emplumada, criador do homem, protetor da vida e da fertilidade. Os sacerdotes eram um poderoso grupo social, encarregado de orientar a educação dos nobres, fazer previsões e dirigir as cerimônias rituais. A religiosidade asteca incluía a prática de sacrifícios. O derramamento de sangue e a oferenda do coração de animais ou de seres humanos eram ritos imprescindíveis para satisfazer os deuses.
---------- INCAS ------------
As fortalezas incas
Os edifícios incas se caracterizam pela monumentalidade e sobriedade. Suas cidades eram verdadeiras fortalezas, construídas com grandes muralhas de pedra. Os incas eram mestres em cortar e unir grandes blocos de pedra; a cidade-fortaleza de Machu Picchu é o exemplo mais espetacular dessa arte. Machu- Picchu foi descoberta em 1911, no topo de uma montanha de 2.400 m de altura, numa região inacessível da cordilheira dos Andes. Outras construções incas importantes ficam em Cuzco e Pisac. Cuzco, a capital do Império, tem uma rígida planificação urbana em forma quadriculada.
Formas de vida
A organização social inca era muito hierarquizada. No topo estava o Inca (filho do Sol), que era o imperador; depois a alta aristocracia, à qual pertenciam os sacerdotes, burocratas e os curacas (cobradores de impostos, chefes locais, juízes e comandantes militares); camadas médias, artesãos e demais militares; e finalmente camponeses e escravos. Os camponeses eram recrutados para lutar no exército, realizar as tarefas da colheita ou trabalhar na construção das cidades, segundo a vontade do Inca. A família patriarcal era a base da sociedade, mas até os casamentos dependiam da autoridade
máxima. O sistema penal era rígido e o sistema político extremamente despótico.
O trabalho agrícola
A terra era propriedade do Inca (imperador) e repartida entre seus súditos. As terras reservadas ao Inca e aos sacerdotes eram cultivadas pelos camponeses, que recebiam também terras suficientes para subsistir. A agricultura era a base da economia inca; a ela se dedicavam os habitantes plebeus das aldeias. Baseava-se no cultivo de um cereal, o milho, e um tubérculo, a batata. As técnicas agrícolas eram rudimentares, já que desconheciam o arado. Para semear utilizava um bastão pontiagudo. Os campos eram irrigados por meio de um sistema formado por diques, canais e aquedutos. Utilizava-se
como adubo o guano, esterco produzido pelas aves marinhas. Possuíam rebanhos imensos de lhamas e vicunhas, que lhes forneciam lã.
Cultura e religião
O idioma quéchua serviu de instrumento unificador do império inca. Como não tinham escrita, a cultura era transmitida oralmente. Com um conjunto de nós e barbantes coloridos, chamados quipos, os incas desenvolveram um engenhoso sistema de contabilidade. Na matemática, utilizavam o sistema numérico decimal. Os artesãos eram peritos no trabalho com o ouro. Mesmo sem conhecer o torno, alcançaram um bom domínio da cerâmica. Seus vasos tinham complicadas formas geométricas e de animais, ou uma combinação de ambas. A religião inca era uma mistura de culto à natureza (sol, terra, lua, mar e montanhas) e crenças mágicas. Os maiores templos eram dedicados ao Sol (Inti). Realizavam sacrifícios tanto de animais como de humanos.
sábado, 8 de setembro de 2007
PERIODO MILITAR BRASILEIRO
O golpe militar de 1964A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político adverso.
O governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais. Estudantes, organização populares e trabalhadores ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média. Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista. Vale lembrar, que neste período, o mundo vivia o auge da Guerra Fria.Este estilo populista e de esquerda, chegou a gerar até mesmo preocupação nos EUA, que junto com as classes conservadoras brasileiras, temiam um golpe comunista.Os partidos de oposição, como a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD), acusavam Jango de estar planejando um golpe de esquerda e de ser o responsável pela carestia e pelo desabastecimento que o Brasil enfrentava.No dia 13 de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na Central do Brasil ( Rio de Janeiro ), onde defende as Reformas de Base. Neste plano, Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país.Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo.O clima de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares tomam o poder. Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Número 1 ( AI-1 ). Este, cassa mandatos políticos de opositores ao regime militar e tira a estabilidade de funcionários públicos.
GOVERNO CASTELLO BRANCO (1964-1967) Castello Branco, general militar, foi eleito pelo Congresso Nacional presidente da República em 15 de abril de 1964. Em seu pronunciamento, declarou defender a democracia, porém ao começar seu governo, assume uma posição autoritária. Estabeleceu eleições indiretas para presidente, além de dissolver os partidos políticos. Vários parlamentares federais e estaduais tiveram seus mandatos cassados, cidadãos tiveram seus direitos políticos e constitucionais cancelados e os sindicatos receberam intervenção do governo militar.Em seu governo, foi instituído o bipartidarismo. Só estavam autorizados o funcionamento de dois partidos : Movimento Democrático Brasileiro ( MDB ) e a Aliança Renovadora Nacional ( ARENA ). Enquanto o primeiro era de oposição, de certa forma controlada, o segundo representava os militares.O governo militar impõe, em janeiro de 1967, uma nova Constituição para o país. Aprovada neste mesmo ano, a Constituição de 1967 confirma e institucionaliza o regime militar e suas formas de atuação.
GOVERNO COSTA E SILVA (1967-1969)Em 1967, assume a presidência o general Arthur da Costa e Silva, após ser eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. Seu governo é marcado por protestos e manifestações sociais. A oposição ao regime militar cresce no país. A UNE ( União Nacional dos Estudantes ) organiza, no Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil. Em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisam fábricas em protesto ao regime militar. A guerrilha urbana começa a se organizar. Formada por jovens idealistas de esquerda, assaltam bancos e seqüestram embaixadores para obterem fundos para o movimento de oposição armada.No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional Número 5 ( AI-5 ). Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou mandatos, acabou com as garantias do habeas-corpus e aumentou a repressão militar e policial.
GOVERNO DA JUNTA MILITAR (31/8/1969-30/10/1969)Doente, Costa e Silva foi substituído por uma junta militar formada pelos ministros Aurélio de Lira Tavares (Exército), Augusto Rademaker (Marinha) e Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica).
Dois grupos de esquerda, O MR-8 e a ALN seqüestram o embaixador dos EUA Charles Elbrick. Os guerrilheiros exigem a libertação de 15 presos políticos, exigência conseguida com sucesso. Porém, em 18 de setembro, o governo decreta a Lei de Segurança Nacional. Esta lei decretava o exílio e a pena de morte em casos de "guerra psicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva".No final de 1969, o líder da ALN, Carlos Mariguella, foi morto pelas forças de repressão em São Paulo.
GOVERNO MEDICI (1969-1974)Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente : o general Emílio Garrastazu Medici. Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do período, conhecido como " anos de chumbo ". A repressão à luta armada cresce e uma severa política de censura é colocada em execução. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de expressão artística são censuradas. Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, presos, torturados ou exilados do país. O DOI-Codi ( Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna ) atua como centro de investigação e repressão do governo militar.Ganha força no campo a guerrilha rural, principalmente no Araguaia. A guerrilha do Araguaia é fortemente reprimida pelas forças militares.O Milagre EconômicoNa área econômica o país crescia rapidamente. Este período que vai de 1969 a 1973 ficou conhecido com a época do Milagre Econômico. O PIB brasileiro crescia a uma taxa de quase 12% ao ano, enquanto a inflação beirava os 18%. Com investimentos internos e empréstimos do exterior, o país avançou e estruturou uma base de infra-estrutura. Todos estes investimentos geraram milhões de empregos pelo país. Algumas obras, consideradas faraônicas, foram executadas, como a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niteroi.Porém, todo esse crescimento teve um custo altíssimo e a conta deveria ser paga no futuro. Os empréstimos estrangeiros geraram uma dívida externa elevada para os padrões econômicos do Brasil.
GOVERNO GEISEL (1974-1979)Em 1974 assume a presidência o general Ernesto Geisel que começa um lento processo de transição rumo à democracia. Seu governo coincide com o fim do milagre econômico e com a insatisfação popular em altas taxas. A crise do petróleo e a recessão mundial interferem na economia brasileira, no momento em que os créditos e empréstimos internacionais diminuem.Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura. A oposição política começa a ganhar espaço. Nas eleições de 1974, o MDB conquista 59% dos votos para o Senado, 48% da Câmara dos Deputados e ganha a prefeitura da maioria das grandes cidades.Os militares de linha dura, não contentes com os caminhos do governo Geisel, começam a promover ataques clandestinos aos membros da esquerda. Em 1975, o jornalista Vladimir Herzog á assassinado nas dependências do DOI-Codi em São Paulo. Em janeiro de 1976, o operário Manuel Fiel Filho aparece morto em situação semelhante.Em 1978, Geisel acaba com o AI-5, restaura o habeas-corpus e abre caminho para a volta da democracia no Brasil.
GOVERNO FIGUEIREDO (1979-1985) A vitória do MDB nas eleições em 1978 começa a acelerar o processo de redemocratização. O general João Baptista Figueiredo decreta a Lei da Anistia, concedendo o direito de retorno ao Brasil para os políticos, artistas e demais brasileiros exilados e condenados por crimes políticos. Os militares de linha dura continuam com a repressão clandestina. Cartas-bomba são colocadas em órgãos da imprensa e da OAB (Ordem dos advogados do Brasil). No dia 30 de Abril de 1981, uma bomba explode durante um show no centro de convenções do Rio Centro. O atentado fora provavelmente promovido por militares de linha dura, embora até hoje nada tenha sido provado.
Em 1979, o governo aprova lei que restabelece o pluripartidarismo no país. Os partidos voltam a funcionar dentro da normalidade. A ARENA muda o nome e passa a ser PDS, enquanto o MDB passa a ser PMDB. Outros partidos são criados, como : Partido dos Trabalhadores ( PT ) e o Partido Democrático Trabalhista ( PDT ).
A Redemocratização e a Campanha pelas Diretas JáNos últimos anos do governo militar, o Brasil apresenta vários problemas. A inflação é alta e a recessão também. Enquanto isso a oposição ganha terreno com o surgimento de novos partidos e com o fortalecimento dos sindicatos.Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à aprovação da Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente naquele ano. Para a decepção do povo, a emenda não foi aprovada pela Câmara dos Deputados.No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheria o deputado Tancredo Neves, que concorreu com Paulo Maluf, como novo presidente da República. Ele fazia parte da Aliança Democrática – o grupo de oposição formado pelo PMDB e pela Frente Liberal.Era o fim do regime militar. Porém Tancredo Neves fica doente antes de assumir e acaba falecendo. Assume o vice-presidente José Sarney. Em 1988 é aprovada uma nova constituição para o Brasil. A Constituição de 1988 apagou os rastros da ditadura militar e estabeleceu princípios democráticos no país.
O golpe militar de 1964A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político adverso.
O governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais. Estudantes, organização populares e trabalhadores ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média. Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista. Vale lembrar, que neste período, o mundo vivia o auge da Guerra Fria.Este estilo populista e de esquerda, chegou a gerar até mesmo preocupação nos EUA, que junto com as classes conservadoras brasileiras, temiam um golpe comunista.Os partidos de oposição, como a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD), acusavam Jango de estar planejando um golpe de esquerda e de ser o responsável pela carestia e pelo desabastecimento que o Brasil enfrentava.No dia 13 de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na Central do Brasil ( Rio de Janeiro ), onde defende as Reformas de Base. Neste plano, Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país.Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo.O clima de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares tomam o poder. Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Número 1 ( AI-1 ). Este, cassa mandatos políticos de opositores ao regime militar e tira a estabilidade de funcionários públicos.
GOVERNO CASTELLO BRANCO (1964-1967) Castello Branco, general militar, foi eleito pelo Congresso Nacional presidente da República em 15 de abril de 1964. Em seu pronunciamento, declarou defender a democracia, porém ao começar seu governo, assume uma posição autoritária. Estabeleceu eleições indiretas para presidente, além de dissolver os partidos políticos. Vários parlamentares federais e estaduais tiveram seus mandatos cassados, cidadãos tiveram seus direitos políticos e constitucionais cancelados e os sindicatos receberam intervenção do governo militar.Em seu governo, foi instituído o bipartidarismo. Só estavam autorizados o funcionamento de dois partidos : Movimento Democrático Brasileiro ( MDB ) e a Aliança Renovadora Nacional ( ARENA ). Enquanto o primeiro era de oposição, de certa forma controlada, o segundo representava os militares.O governo militar impõe, em janeiro de 1967, uma nova Constituição para o país. Aprovada neste mesmo ano, a Constituição de 1967 confirma e institucionaliza o regime militar e suas formas de atuação.
GOVERNO COSTA E SILVA (1967-1969)Em 1967, assume a presidência o general Arthur da Costa e Silva, após ser eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. Seu governo é marcado por protestos e manifestações sociais. A oposição ao regime militar cresce no país. A UNE ( União Nacional dos Estudantes ) organiza, no Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil. Em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisam fábricas em protesto ao regime militar. A guerrilha urbana começa a se organizar. Formada por jovens idealistas de esquerda, assaltam bancos e seqüestram embaixadores para obterem fundos para o movimento de oposição armada.No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional Número 5 ( AI-5 ). Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou mandatos, acabou com as garantias do habeas-corpus e aumentou a repressão militar e policial.
GOVERNO DA JUNTA MILITAR (31/8/1969-30/10/1969)Doente, Costa e Silva foi substituído por uma junta militar formada pelos ministros Aurélio de Lira Tavares (Exército), Augusto Rademaker (Marinha) e Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica).
Dois grupos de esquerda, O MR-8 e a ALN seqüestram o embaixador dos EUA Charles Elbrick. Os guerrilheiros exigem a libertação de 15 presos políticos, exigência conseguida com sucesso. Porém, em 18 de setembro, o governo decreta a Lei de Segurança Nacional. Esta lei decretava o exílio e a pena de morte em casos de "guerra psicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva".No final de 1969, o líder da ALN, Carlos Mariguella, foi morto pelas forças de repressão em São Paulo.
GOVERNO MEDICI (1969-1974)Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente : o general Emílio Garrastazu Medici. Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do período, conhecido como " anos de chumbo ". A repressão à luta armada cresce e uma severa política de censura é colocada em execução. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de expressão artística são censuradas. Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, presos, torturados ou exilados do país. O DOI-Codi ( Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna ) atua como centro de investigação e repressão do governo militar.Ganha força no campo a guerrilha rural, principalmente no Araguaia. A guerrilha do Araguaia é fortemente reprimida pelas forças militares.O Milagre EconômicoNa área econômica o país crescia rapidamente. Este período que vai de 1969 a 1973 ficou conhecido com a época do Milagre Econômico. O PIB brasileiro crescia a uma taxa de quase 12% ao ano, enquanto a inflação beirava os 18%. Com investimentos internos e empréstimos do exterior, o país avançou e estruturou uma base de infra-estrutura. Todos estes investimentos geraram milhões de empregos pelo país. Algumas obras, consideradas faraônicas, foram executadas, como a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niteroi.Porém, todo esse crescimento teve um custo altíssimo e a conta deveria ser paga no futuro. Os empréstimos estrangeiros geraram uma dívida externa elevada para os padrões econômicos do Brasil.
GOVERNO GEISEL (1974-1979)Em 1974 assume a presidência o general Ernesto Geisel que começa um lento processo de transição rumo à democracia. Seu governo coincide com o fim do milagre econômico e com a insatisfação popular em altas taxas. A crise do petróleo e a recessão mundial interferem na economia brasileira, no momento em que os créditos e empréstimos internacionais diminuem.Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura. A oposição política começa a ganhar espaço. Nas eleições de 1974, o MDB conquista 59% dos votos para o Senado, 48% da Câmara dos Deputados e ganha a prefeitura da maioria das grandes cidades.Os militares de linha dura, não contentes com os caminhos do governo Geisel, começam a promover ataques clandestinos aos membros da esquerda. Em 1975, o jornalista Vladimir Herzog á assassinado nas dependências do DOI-Codi em São Paulo. Em janeiro de 1976, o operário Manuel Fiel Filho aparece morto em situação semelhante.Em 1978, Geisel acaba com o AI-5, restaura o habeas-corpus e abre caminho para a volta da democracia no Brasil.
GOVERNO FIGUEIREDO (1979-1985) A vitória do MDB nas eleições em 1978 começa a acelerar o processo de redemocratização. O general João Baptista Figueiredo decreta a Lei da Anistia, concedendo o direito de retorno ao Brasil para os políticos, artistas e demais brasileiros exilados e condenados por crimes políticos. Os militares de linha dura continuam com a repressão clandestina. Cartas-bomba são colocadas em órgãos da imprensa e da OAB (Ordem dos advogados do Brasil). No dia 30 de Abril de 1981, uma bomba explode durante um show no centro de convenções do Rio Centro. O atentado fora provavelmente promovido por militares de linha dura, embora até hoje nada tenha sido provado.
Em 1979, o governo aprova lei que restabelece o pluripartidarismo no país. Os partidos voltam a funcionar dentro da normalidade. A ARENA muda o nome e passa a ser PDS, enquanto o MDB passa a ser PMDB. Outros partidos são criados, como : Partido dos Trabalhadores ( PT ) e o Partido Democrático Trabalhista ( PDT ).
A Redemocratização e a Campanha pelas Diretas JáNos últimos anos do governo militar, o Brasil apresenta vários problemas. A inflação é alta e a recessão também. Enquanto isso a oposição ganha terreno com o surgimento de novos partidos e com o fortalecimento dos sindicatos.Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à aprovação da Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente naquele ano. Para a decepção do povo, a emenda não foi aprovada pela Câmara dos Deputados.No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheria o deputado Tancredo Neves, que concorreu com Paulo Maluf, como novo presidente da República. Ele fazia parte da Aliança Democrática – o grupo de oposição formado pelo PMDB e pela Frente Liberal.Era o fim do regime militar. Porém Tancredo Neves fica doente antes de assumir e acaba falecendo. Assume o vice-presidente José Sarney. Em 1988 é aprovada uma nova constituição para o Brasil. A Constituição de 1988 apagou os rastros da ditadura militar e estabeleceu princípios democráticos no país.
Bem vindos ao Blog de História do Professor CÉLIO LEANDRO
A partir de hoje eu estarei publicando textos, sugestões e atividades importantes para os meus alunos dos cursos preparatórios para o Vestibular e alunos do curso secunário nas área de História Geral. Voltem a me visitar sempre e comentem os meus textos. Obrigado pela visita!
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O Brasil na II Guerra Mundial
O Brasil na II Guerra Mundial
Desde o início da Segunda Guerra Mundial, a ideologia do Estado Novo, implantado por Getúlio Vargas, apontava para um provável alinhamento do Brasil com os países do Pacto de Aço - Alemanha e Itália. Em 1937 Vargas havia instalado no País uma ditadura, apoiada em uma Constituição centralizadora e autoritária, que guardava muitos pontos em comum com as ditaduras fascista. A própria declaração de Vargas ao comentar a invasão da Polônia pelo exército nazista, em 1° de setembro de 1939, revelava certa simpatia pelo nazismo ao prever um futuro melhor: "Marchamos para um futuro diverso de tudo quanto conhecemos em matéria de organização econômica, política e social.
Passou a época dos liberalismos imprevidentes, das demagogias estéreis, dos personalismos inúteis e semeadores dadesordem".Repressão: esta era a ordem política no Brasil na época da Segunda Guerra. OEstado Novo, decretado em 10 de novembro de 1937, fechou o Congresso, impôs a censura à imprensa, prendeu líderes políticos e sindicais e colocou interventores nos governo estaduais. Com um estilo populista, Getúlio Vargas montou um poderoso esquema de propaganda pessoal ao criar o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), claramente inspirado no aparelho nazista de propaganda idealizado por Joseph Goebbels. A Hora do Brasil, introduzida nas rádios brasileiras e chamada ironicamente pela intelectualidade de "Fala Sozinho", mostrava os feitos do governo, escondendo a repressão política praticada contra uma sociedade pouco organizada na época.
Vargas criou o salário mínimo e instituiu a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), entre outros benefícios sociais, o que o levou a ser adamado como "pai dos pobres" pela população de baixa renda.Em 1940, um ano após edodir na Europa, a guerra ainda não ameaçava diretamente o Brasil. A ideologia nazista, contudo, fascinava os homens que operavam o Estado Novo a tal ponto que Francisco Campos, o autor da Constituição de 1937, chegou a propor à embaixada alemã no Brasil a realização de uma "exposição anticomintern", com a qual pretendia demonstrar a falência do modelo político comunista. Mais tarde, o chefe da polícia (um órgão de atuação similar à da Polícia Federal de hoje), Filinto Muller, enviou policiais brasileiros para um "estágio" na Gestapo. Góes Monteiro, o chefe do Estado Maior do Exército, foi mais longe. Participou de manobras do exército alemão e ameaçou romper com a Inglaterra quando os britânicos apreenderam o navio Siqueira Campos, que trazia ao Brasil armas compradas dos alemães.
Existem divergentes interpretações sobre a postura de Vargas frente a eclosão da II Guerra. A visão tradicional, considera o presidente como um político habilidoso, que protelou o quanto pôde a formalização de uma posição diante do conflito, na medida em que poderia obter ganhos, do ponto de vista econômico, dos dois lados. O grande sonho do presidente era a industrialização do Brasil e, nesse sentido, pretendia obter recursos externos. Em 1940 o ministro Souza Costa publicou um Plano Quinquenal, que previa o reequipamento das ferrovias, a construção da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso, a instalação de uma indústria aeronáutica e a construção da Usina Siderúrgica de Volta Redonda, reforçando o nacionalismo econômico.Outra visão considera a posição de Vargas frente a Guerra como expressão de uma contradição, na medida em que o país dependia de forma mais acentuada da economia norte-americana e ao mesmo tempo possui uma estrutura política semelhante à dos países do Eixo.
A posição favorável a Alemanha poderia comprometer o desenvolvimento econômico do país, uma vez que os nazistas, apesar de avançarem na Europa, tinham na América do Sul um interesse secundário. Ao contrário, a defesa dos interesses dos EUA, quer dizer, das "democracias" contra o nazi-fascismo, poderia comprometer a política interna de Vargas.No entanto, as pressões norte-americanas foram intensas, contaram com o apoio de outros países latino-americanos e utilizou-se de diversos mecanismos, desde aquele que foi considerado o mais eficiente - a liberação de recursos para a construção da Usina de Volta Redonda - até um novo modelo de relação, batizado de "política de boa vizinhaça", pelo presidente F. Roosevelt dos EUA.
Intelectuais brasileiros visitaram os EUA, e mesmo o general Góis Monteiro - germanófilo - ficou encantado em conhecer os estúdios Disney.Veja a opinião do tradicional historiador Hélio Silva:A América estava dividida e as posições pareciam irredutíveis. "E quando o chanceler brasileiro [Oswaldo Aranha] se agiganta à estatura dos grandes estadistas do século. Ele consegue salvar a partida perdida, dando ganho aparentemente ao adversário. Com uma lucidez absoluta, sente que a fórmula inicial não poderia mais ser atingida com unanimidade. As pressões dos países do Eixo - que conhecia e repelira - atuavam na Conferência. Mas, importante que era a ruptura imediata, (...) não era o princípio em causa, o principal. Este era a unidade continental, a solidariedade entre as nações americanas, a reação unânime à agressão. Porque, firmado esse princípio, tudo o mais seria atraído por ele. Oswaldo Aranha é a grande figura da III Reunião de Consulta. Sem ele, teria perecido, naquela ocasião, a unidade continental. (...) A Europa ocupada, a Inglaterra subjugada, a Rússia invadida, não .precisariam os Exércitos nazistas atravessar os oceanos.
As quintas-colunas se aprestariam em tomar conta dos govemos americanos. A Nova Ordem nazista teria, afinal, triunfado no mundo. (...) A Conferência do Rio de Janeiro teve uma importância decisiva nos destinos da humanidade. Pela primeira vez, em face de um caso concreto, positivo e definido, foi posta à prova a estrutura do pan-americanismo. Pela primeira vez todo um continente se dedarou unido para uma ação comum, em defesa de um ideal comum, a Liberdade".Em 22 de agosto de 1942, Vargas reúne-se com seu novo ministério: " diante da comprovação de dos atos de guerra contra a nossa soberania, foi reconhecida a situação de beligerância entre o Brasil e as nações agressoras - Alemanha e Itália". Em 31 de agosto foi declarado o estado de guerra em todo o território nacional
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