PERÍODO NAPOLEONICO* Napoleão Bonaparte
Napoleão Bonaparte nasceu em Ajaccio, Córsega em 1769. Foi tenente da artilharia do exército francês aos 19 anos e general aos 27 anos, saindo vitorioso em várias batalhas na Itália e na Áustria.
Foi um dos chamados "monarcas iluminados", que aderiram ao movimento filosófico chamado Iluminismo.
Napoleão Bonaparte esteve no poder da França durante 15 anos e nesse tempo conquistou grande parte da Europa.. Para os biógrafos, seu sucesso se deu devido a sua grande capacidade como estrategista, seu espírito de liderança e ao seu talento para empolgar os soldados com promessas de riqueza e glória após vencidas as batalhas.
* Era Napoleônica
Os processos revolucionários provocaram certa tensão na França, de um lado estava a burguesia insatisfeita com os jacobinos, formados por monarquistas e revolucionários radicais, e do outro lado as monarquias européias, que temiam que os ideais revolucionários franceses se propagassem por seus reinos.
Foi derrubado na França, sob o comando de Napoleão, o governo do Diretório. Junto com a burguesia, Napoleão estableceu o consulado, primeira fase do seu governo. Este golpe ficou conhecido como 'Golpe 18 de Brumário' em 1799. O Golpe 18 de Brumário, marca o início de um novo período na história francesa, e conseqüentemente, da Europa: a Era Napoleônica.
Seu governo pode ser dividido em três partes:
Consulado (1799-1804)
Império (1804-1814)
Governo dos Cem Dias (1815)
* Consulado
O governo do consulado foi instalado depois da queda do Diretório. O consulado possuía caráter republicano e militar. No poder Executivo, três pessoas eram responsáveis: dois cônsules e o próprio Napoleão. Apesar da presença de outros dois cônsules, quem mais dispunha de influência e poder era o próprio Napoleão, que foi eleito primeiro-cônsul da República.
No consulado, a burguesia detinha o poder e assim, foi consolidada com o grupo central da França. A forte censura à imprensa, a ação violenta dos órgãos policiais e o desmanche da oposição ao governo colocaram em questão os ideais de “liberdade, igualdade e fraternidade” características da Revolução Francesa.
Entre os feitos de Napoleão (na época), podemos citar:
Economia – Criação do Banco da França, em 1800, controlando a emissão de moeda e a inflação; criação de tarifas protecionistas, fortalecendo a economia nacional.
Religião – Elaboração da Concordata entre a Igreja Católica e o Estado, o qual dava o direito do governo francês de confiscar as propriedades da Igreja, e em troca, o governo teria de amparar o clero.
Direito – Criação do Código Napoleônico, representando em grande parte os interesses dos burgueses, como casamento civil (separado do religioso), respeito à propriedade privada, direito à liberdade individual e igualdade de todos perante à lei, etc.
Educação – Reorganização e prioridades para a educação e formação do cidadão francês.
Os resultados obtidos neste período do governo de Napoleão agradaram à elite francesa. Com o apoio destas, Napoleão foi elevado ao nível de cônsul vitalício, em 1802.
* Império
Em plebiscito realizado em 1804, a nova fase da era napoleônica foi aprovada com quase 60% dos votos, e o regime monárquico foi reestabelecido na França, Napoleão foi indicado para ocupar o trono.
Nesse período, podemos destacar o grande número de batalhas de Napoleão para a conquista de novos territórios para a França. O exército francês tornou-se o mais poderoso de toda a Europa.
O principal e mais poderoso inimigo francês, na época, era a Inglaterra. Os ingleses se opunham a expansão francesa, e vendo a força do exército francês, formaram alianças com Áustria, Rússia e Prússia.
Embora o governo francês dispusesse do melhor exército da Europa, a Inglaterra era a maior potência naval da época, o que dificultou a derrota dos ingleses. Em virtude disso, Napoleão Bonaparte pensou em outra forma de derrotar os ingleses economicamente. Ele estabeleceu o Bloqueio Continental, que determinava que todos os países europeus deveriam fechar seus portos para o comércio com a Inglaterra, enfraquecendo assim, as exportações do país e causando uma crise industrial.
A Inglaterra na época, era o maior parceiro comercial de Portugal. Portugal vendia produtos agrícolas e a Inglaterra, produtos manufaturados. Vendo que não poderia parar de negociar com os ingleses, e temendo a invasão dos franceses, D.João VI junto com sua família e os nobres portugueses fugiram para o Brasil, transferindo quase todo o aparelho estatal para a colônia.
A Rússia também descumpriu o Bloqueio Continental e comercializou com a Inglaterra. Napoleão e seus homem marcharam contra a Rússia, mas foram praticamente vencidos pelo imenso território russo e principalmente, pelo rigoroso inverno. Além disso haviam conspirações de um golpe na França, o que fez Napoleão voltar rapidamente para controlar a situação.
Após esses fatos temos a luta da coligação européia contra a França. Com a capitulação de Paris, o imperador foi obrigado a abdicar.
* Governo dos Cem Dias
Com a derrota para as forças da coligação européia, Napoleão foi exilado na Ilha de Elba, no Tratado de Fontainebleau, porém fogiu no ano seguinte. Com um exército, entrou na França e reconquistou o poder. Passou a atacar a Bélgica, mas foi derrotado pela segunda vez na Batalha de Waterloo. Assim, Napoleão foi preso e exilado pela segunda vez, porém para a Ilha de Santa Helena, em 1815. Napoleão morreu em 1821 não se sabe, na verdade, o motivo mas supeita-se de envenenamento.
sábado, 12 de abril de 2008
terça-feira, 8 de abril de 2008
Do Paleolítico ao Neolítico
Recordo o que aprendi…
O Paleolítico
Durante todo o período Paleolítico, a humanidade evoluiu muito lentamente. Foram alguns milhões de anos em que os objectos fabricados eram ainda muito rudimentares e o modo de vida do Homem muito dependente do meio natural: a sobrevivência dependia do que lhe dava a caça e a apanha de frutos. Os seus instrumentos eram sobretudo de pedra talhada.
No entanto, há cerca de dez mil anos, registou-se uma profunda transformação: o Homem descobriu a agricultura e começou a domesticar e a criar animais. Assim, ao não necessitar de se deslocar para obter alimentos, os grupos humanos fixaram-se numa região só e, dispondo progressivamente de melhores meios para criar maior riqueza, tornaram-se cada vez mais numerosos.
A caça
A alimentação do Homem foi-se alterando à medida que ele também foi evoluindo. Assim, de uma dieta alimentar baseada sobretudo em vegetais recolhidos das árvores ou do solo, frutos, folhas e raízes, o Homem passou gradualmente à gestão de carne. Deste modo, tornou-se omnívoro, tendo com isso enormes vantagens em termos de adaptação ao meio:
- Não ficou dependente de um tipo de clima e região.
- Desenvolveu um modo de vida que tinha a recolecção e a caça como actividades principais.
No início, a caça limitava-se a pequenos animais, fosse pelos instrumentos rudimentares que usavam fosse pelas dificuldades de comunicação e unidade do grupo.
A partir do Homo Erectus, e sobretudo com o Homem de Cromagnon, a caça passou a ser a principal actividade do Homem. Realizavam-se grandes caçadas a animais de grande porte como elefantes, rinocerontes, bois, bisontes, cavalos e outros. Para isso foram utilizadas diversas armas feitas de pedra, madeira e osso, como flecha, a zagaia, o dardo ou armadilhas engendradas para o efeito.
A caça passou a ser, gradualmente, uma actividade organizada, planeada e executada por uma comunidade de indivíduos que depois partilhavam o animal entre si.
Esta economia, em que nada se produz mas apenas se recolhe e consome chama-se economia recolectora.
A Habitação
No Paleolítico, os Homens eram nómadas, isto é, mudavam frequentemente de lugar em consequência da economia recolectora, já que a sobrevivência do Homem dependia da existência de caça, dos ciclos normais de vida das plantas ou da variações climáticas. Por isso, o Homem tinha de mudar, frequentemente, de território em busca das condições que lhe assegurassem alimentação, segurança e conforto.
As Técnicas
Os instrumentos
Foi no fabrico de instrumentos que o Homem se distinguiu definitivamente dos animais, porque, do mais simples ao mais complexo, o fabrico de instrumentos implicava a previsão de uma necessidade de que só o Homem era capaz. Esta capacidade estava, naturalmente, ligada com as suas primeiras actividades que eram a colheita de vegetais, a caça, a pesca e também certas manifestações decorativas e artísticas.
Os primeiros instrumentos eram pequenos seixos de pedra quebrados de forma a ficarem com uma face com arestas cortantes. Este tipo de instrumentos, chamados bifaces, eram utensílios que, apesar de simples, exigiam uma técnica cuja aprendizagem e evolução levou milénios.
Outro passo importante no fabrico de instrumentos foi quando o Homem passou a aproveitar as lascas que eram libertas da pedra que servia de núcleo central no momento em que era batida. Estas lascas ganharam uma importância muito grande para o Homem do Paleolítico já que eram aproveitadas para o fabrico de inúmeros pequenos utensílios como raspadores, pontas de seta, lâminas e buris.
Para além da pedra eram também trabalhados a madeira e o osso, o chifre e o marfim. Este tipo de objectos eram utilizados para adorno pessoal.
O fogo
Datam de há 500 mil anos os primeiros vestígios da utilização do fogo pelo Homem.
O domínio do fogo representou um passo fundamental para a sobrevivência do Homem no meio que naturalmente lhe era hostil. Para isso apontamos cinco razões:
- O Homem foi o único ser vivo a não recear o fogo, o que lhe dava uma grande vantagem sobre as outras espécies, fosse na sua actividade de caça fosse como arma defensiva.
- Passou a possuir uma fonte de calor, que lhe fornecia o conforto essencial e um meio fundamental para se adaptar às alterações climáticas, nomeadamente ao frio.
- Permitiu-lhe a cozedura dos alimentos, facilitando a sua deglutição e digestão. Este facto teve como consequências a regressão das mandíbulas e o aumento da caixa craniana e do volume cerebral.
- Contribuiu para o desenvolvimento de novas técnicas, que facilitaram o fabrico de instrumentos, como é o caso da utilização do calor no amolecimento de dentes de mamute ou no endireitamento de varas.
- Valorizou a vida em grupo e consequentemente o desenvolvimento da comunicação e da linguagem, uma vez que foi um factor de encontro e de reunião.
O Neolítico
A Economia Produtora
A agricultura
Há aproximadamente 10 mil anos que mudanças climatéricas criaram as condições para o Homem começar a abandonar o modo de vida, exclusivamente, baseado na caça e na recolecção para passar a produzir os seus próprios alimentos.
Verificou-se um grande desajuste no que se refere à economia recolectora, pois o Homem não colmatava a suas necessidades nem tinha condições para aumentar em número.
Deste modo, a agricultura surgiu como o resultado de uma necessidade alimentar da comunidade e também como a actividade que melhor se adaptava à sua própria organização: Os Homens continuavam a procurar a caça e as mulheres dedicavam-se às diferentes tarefas relacionadas com a agricultura.
Os primeiros produtos cultivados foram o trigo, a cevada, o milho, a soja e o arroz. A agricultura foi das mais importantes descobertas da História da Humanidade, uma vez que provocou profundas alterações na sociedade humana e na sua relação com o meio ambiente: o Homem fixou-se definitivamente num local e adaptou-o às suas necessidades. A esta lenta transformação, que demorou centenas de anos e tem por base uma economia produtora, dá-se o nome de revolução neolítica.
A domesticação
Para além da agricultura, a criação de animais foi outro passo muito importante para a alteração do modo de vida do Homem, este facto caracterizou também a revolução neolítica.
A criação de animais deu ao Homem não só a possibilidade de não ter de se deslocar para obter a carne e as peles necessárias à sua alimentação e conforto, mas também o leite e, com a domesticação do boi, uma força para tracção.
Como a agricultura, também a domesticação deve ter surgido espontaneamente em vários locais, resultado da evolução natural de aproximação e observação dos animais no decurso das caçadas. Esta actividade permitiu ao Homem conhecer os hábitos dos animais, distinguir os machos das fêmeas para preservar estas últimas e inventar meios para manter as manadas próximas de si de forma a facilitar a sua captura.
O primeiro animal domesticado foi o cão, seguindo-se animais para a alimentação, como a cabra, o carneiro, o boi e o cavalo.
As sociedades sedentáriasA sedentarização
Sedentarização é a fixação definitiva de uma comunidade numa região. Este foi um processo que conduziu naturalmente aos primeiros aldeamentos que se localizaram sobretudo na proximidade de rios, porque nesses locais existia uma grande variedade de recursos alimentares, como o peixe, os crustáceos, os moluscos de casca, as aves, os pequenos mamíferos para a caça, os cereais, etc.
A fixação num local facilitou por sua vez o surgimento da agricultura já que permitiu ao Homem a observação prolongada dos ciclos de vida das plantas e a experimentação do seu cultivo. Por outro lado, a agricultura, ao resolver melhor as necessidades alimentares e de conforto do Homem, criou ligações e obrigações deste para com a terra – ele tem de cultivá-la, apanhar e tratar o cereal – que o transforma definitivamente em sedentário.
As casas dos primeiros aldeamentos eram circulares e construídas com os materiais de mais fácil acesso: adobe ou tijolo no Próximo Oriente; argila seca sobre armação de madeira no Ocidente; a pedra também era utilizada. Mais tarde, com o crescimento das populações e a necessidade de espaço, o plano circular das habitações foi substituído pelo rectangular.
O melhor conhecimento dos processos agrícolas e a maior capacidade de domesticação de animais permitiram ao Homem expandir-se para além das margens dos rios e construir aldeias em locais que considerou mais apropriados às actividades que desenvolvia, à organização e número de elementos da sua comunidade e às necessidades de defesa.
Os instrumentos
Embora o Homem do Neolítico utilizasse o osso e a madeira para a construção de instrumentos e objectivos vários, a pedra deve ter continuado a ser, nesta época, o material mais trabalhado e usado, tal como acontecia no Paleolítico.
A pedra era, no entanto, melhor trabalhada, já que, depois de lhe ser dada forma, era polida, através da paciente fricção de uma pedra com outra ou areia. O polimento é uma das características que distingue os instrumentos deste período que se tornaram mais eficazes. Foi, igualmente, possível alargar a sua variedade e adequá-los às novas actividades ligadas à economia produtora.
Foi neste período que surgiram ou foram desenvolvidos a foice para ceifar os cereais, o machado para desbravar a terra, a enxada para preparar o solo e o pau – escavador para semear ou desenterrar os tubérculos. Por outro lado, continuou-se a fabricar setas, facas, arpões e raspadores imprescindíveis para a caça e a pesca.
Foi, também, no Neolítico que apareceram a mó, normalmente uma pedra chata, e o pilão ou moleta com que se esmagavam os grãos para o fabrico da farinha.
As Primeiras ConquistasA Bipedia
Há cerca de 15 milhões de anos, na África Oriental e do Sul, ocorreram importantes alterações climáticas que modificaram a paisagem e as condições de vida.
Em resultado do clima se ter tornado cada vez mais seco, os hominídeos, isto é, os antepassados do Homem, foram obrigados a abandonar a floresta, onde habitavam, e a viver na savana. Esta, mais despida de vegetação do que a floresta, obrigou o nosso mais remoto antepassado - o Australopiteco - a marchar sobre os pés (bipedia).
Com o decorrer dos tempos, a postura vertical tornou-se permanente levando a outras importantes alterações do corpo, em particular da mão e do crânio. A mão, progressivamente semelhante à nossa, permitiu ao nosso antepassado utilizar os instrumentos que possuía. Por outro lado, o crescimento do crânio proporcionou-lhe um cérebro maior, o que significou mais capacidade para resolver os problemas que teve de enfrentar.
Vantagens da bipedia para os primeiros hominídeos:
* Desenvolvimento da habilidade para o transporte de alimentos entre lugares
* Redução de pêlos sobre as áreas do corpo não expostas ao sol forte
* Liberação das mãos para diferentes usos ou para cuidar de filhotes
* Decréscimo do consumo de energia em caminhadas a velocidades normais
* Aumento do horizonte de visão e melhoria da protecção contra predadores
O Domínio do Fogo
Ao dominar o fogo, o Homem acreditou nas suas capacidades e preparou novas descobertas. De facto, a produção do fogo veio alterar, profundamente, os hábitos do homem primitivo e abrir-lhe caminho a outras inovações.
O Homo Erectus já sabia produzir o fogo. Com efeito, há mais de meio milhão de anos, esse antigo antepassado do homem já acendia fogueiras, como se comprova pelo facto de aparecerem vestígios de fogo em lugares por si habitados. Com esta invenção, o homem primitivo alterou, profundamente, a sua maneira de viver.
O domínio do fogo alterou a vida do homem primitivo pois veio permitir-lhe:
- Aperfeiçoar os instrumentos utilizados na caça e na pesca;
- Cozinhar os alimentos, até aí comidos crus;
- Defender-se melhor dos animais que o cercavam ou empurrá-los para os locais pretendidos;
- Iluminar as cavernas, de que ocasionalmente se servia, através da utilização da gordura dos animais que abatia;
Em conclusão, ao dominar o fogo, o Homem acreditou nas suas capacidades e preparou novas descobertas. De facto, a produção do fogo veio alterar, profundamente, os hábitos do homem primitivo e abrir-lhe caminho a outras inovações.
Recordo o que aprendi…
O Paleolítico
Durante todo o período Paleolítico, a humanidade evoluiu muito lentamente. Foram alguns milhões de anos em que os objectos fabricados eram ainda muito rudimentares e o modo de vida do Homem muito dependente do meio natural: a sobrevivência dependia do que lhe dava a caça e a apanha de frutos. Os seus instrumentos eram sobretudo de pedra talhada.
No entanto, há cerca de dez mil anos, registou-se uma profunda transformação: o Homem descobriu a agricultura e começou a domesticar e a criar animais. Assim, ao não necessitar de se deslocar para obter alimentos, os grupos humanos fixaram-se numa região só e, dispondo progressivamente de melhores meios para criar maior riqueza, tornaram-se cada vez mais numerosos.
A caça
A alimentação do Homem foi-se alterando à medida que ele também foi evoluindo. Assim, de uma dieta alimentar baseada sobretudo em vegetais recolhidos das árvores ou do solo, frutos, folhas e raízes, o Homem passou gradualmente à gestão de carne. Deste modo, tornou-se omnívoro, tendo com isso enormes vantagens em termos de adaptação ao meio:
- Não ficou dependente de um tipo de clima e região.
- Desenvolveu um modo de vida que tinha a recolecção e a caça como actividades principais.
No início, a caça limitava-se a pequenos animais, fosse pelos instrumentos rudimentares que usavam fosse pelas dificuldades de comunicação e unidade do grupo.
A partir do Homo Erectus, e sobretudo com o Homem de Cromagnon, a caça passou a ser a principal actividade do Homem. Realizavam-se grandes caçadas a animais de grande porte como elefantes, rinocerontes, bois, bisontes, cavalos e outros. Para isso foram utilizadas diversas armas feitas de pedra, madeira e osso, como flecha, a zagaia, o dardo ou armadilhas engendradas para o efeito.
A caça passou a ser, gradualmente, uma actividade organizada, planeada e executada por uma comunidade de indivíduos que depois partilhavam o animal entre si.
Esta economia, em que nada se produz mas apenas se recolhe e consome chama-se economia recolectora.
A Habitação
No Paleolítico, os Homens eram nómadas, isto é, mudavam frequentemente de lugar em consequência da economia recolectora, já que a sobrevivência do Homem dependia da existência de caça, dos ciclos normais de vida das plantas ou da variações climáticas. Por isso, o Homem tinha de mudar, frequentemente, de território em busca das condições que lhe assegurassem alimentação, segurança e conforto.
As Técnicas
Os instrumentos
Foi no fabrico de instrumentos que o Homem se distinguiu definitivamente dos animais, porque, do mais simples ao mais complexo, o fabrico de instrumentos implicava a previsão de uma necessidade de que só o Homem era capaz. Esta capacidade estava, naturalmente, ligada com as suas primeiras actividades que eram a colheita de vegetais, a caça, a pesca e também certas manifestações decorativas e artísticas.
Os primeiros instrumentos eram pequenos seixos de pedra quebrados de forma a ficarem com uma face com arestas cortantes. Este tipo de instrumentos, chamados bifaces, eram utensílios que, apesar de simples, exigiam uma técnica cuja aprendizagem e evolução levou milénios.
Outro passo importante no fabrico de instrumentos foi quando o Homem passou a aproveitar as lascas que eram libertas da pedra que servia de núcleo central no momento em que era batida. Estas lascas ganharam uma importância muito grande para o Homem do Paleolítico já que eram aproveitadas para o fabrico de inúmeros pequenos utensílios como raspadores, pontas de seta, lâminas e buris.
Para além da pedra eram também trabalhados a madeira e o osso, o chifre e o marfim. Este tipo de objectos eram utilizados para adorno pessoal.
O fogo
Datam de há 500 mil anos os primeiros vestígios da utilização do fogo pelo Homem.
O domínio do fogo representou um passo fundamental para a sobrevivência do Homem no meio que naturalmente lhe era hostil. Para isso apontamos cinco razões:
- O Homem foi o único ser vivo a não recear o fogo, o que lhe dava uma grande vantagem sobre as outras espécies, fosse na sua actividade de caça fosse como arma defensiva.
- Passou a possuir uma fonte de calor, que lhe fornecia o conforto essencial e um meio fundamental para se adaptar às alterações climáticas, nomeadamente ao frio.
- Permitiu-lhe a cozedura dos alimentos, facilitando a sua deglutição e digestão. Este facto teve como consequências a regressão das mandíbulas e o aumento da caixa craniana e do volume cerebral.
- Contribuiu para o desenvolvimento de novas técnicas, que facilitaram o fabrico de instrumentos, como é o caso da utilização do calor no amolecimento de dentes de mamute ou no endireitamento de varas.
- Valorizou a vida em grupo e consequentemente o desenvolvimento da comunicação e da linguagem, uma vez que foi um factor de encontro e de reunião.
O Neolítico
A Economia Produtora
A agricultura
Há aproximadamente 10 mil anos que mudanças climatéricas criaram as condições para o Homem começar a abandonar o modo de vida, exclusivamente, baseado na caça e na recolecção para passar a produzir os seus próprios alimentos.
Verificou-se um grande desajuste no que se refere à economia recolectora, pois o Homem não colmatava a suas necessidades nem tinha condições para aumentar em número.
Deste modo, a agricultura surgiu como o resultado de uma necessidade alimentar da comunidade e também como a actividade que melhor se adaptava à sua própria organização: Os Homens continuavam a procurar a caça e as mulheres dedicavam-se às diferentes tarefas relacionadas com a agricultura.
Os primeiros produtos cultivados foram o trigo, a cevada, o milho, a soja e o arroz. A agricultura foi das mais importantes descobertas da História da Humanidade, uma vez que provocou profundas alterações na sociedade humana e na sua relação com o meio ambiente: o Homem fixou-se definitivamente num local e adaptou-o às suas necessidades. A esta lenta transformação, que demorou centenas de anos e tem por base uma economia produtora, dá-se o nome de revolução neolítica.
A domesticação
Para além da agricultura, a criação de animais foi outro passo muito importante para a alteração do modo de vida do Homem, este facto caracterizou também a revolução neolítica.
A criação de animais deu ao Homem não só a possibilidade de não ter de se deslocar para obter a carne e as peles necessárias à sua alimentação e conforto, mas também o leite e, com a domesticação do boi, uma força para tracção.
Como a agricultura, também a domesticação deve ter surgido espontaneamente em vários locais, resultado da evolução natural de aproximação e observação dos animais no decurso das caçadas. Esta actividade permitiu ao Homem conhecer os hábitos dos animais, distinguir os machos das fêmeas para preservar estas últimas e inventar meios para manter as manadas próximas de si de forma a facilitar a sua captura.
O primeiro animal domesticado foi o cão, seguindo-se animais para a alimentação, como a cabra, o carneiro, o boi e o cavalo.
As sociedades sedentáriasA sedentarização
Sedentarização é a fixação definitiva de uma comunidade numa região. Este foi um processo que conduziu naturalmente aos primeiros aldeamentos que se localizaram sobretudo na proximidade de rios, porque nesses locais existia uma grande variedade de recursos alimentares, como o peixe, os crustáceos, os moluscos de casca, as aves, os pequenos mamíferos para a caça, os cereais, etc.
A fixação num local facilitou por sua vez o surgimento da agricultura já que permitiu ao Homem a observação prolongada dos ciclos de vida das plantas e a experimentação do seu cultivo. Por outro lado, a agricultura, ao resolver melhor as necessidades alimentares e de conforto do Homem, criou ligações e obrigações deste para com a terra – ele tem de cultivá-la, apanhar e tratar o cereal – que o transforma definitivamente em sedentário.
As casas dos primeiros aldeamentos eram circulares e construídas com os materiais de mais fácil acesso: adobe ou tijolo no Próximo Oriente; argila seca sobre armação de madeira no Ocidente; a pedra também era utilizada. Mais tarde, com o crescimento das populações e a necessidade de espaço, o plano circular das habitações foi substituído pelo rectangular.
O melhor conhecimento dos processos agrícolas e a maior capacidade de domesticação de animais permitiram ao Homem expandir-se para além das margens dos rios e construir aldeias em locais que considerou mais apropriados às actividades que desenvolvia, à organização e número de elementos da sua comunidade e às necessidades de defesa.
Os instrumentos
Embora o Homem do Neolítico utilizasse o osso e a madeira para a construção de instrumentos e objectivos vários, a pedra deve ter continuado a ser, nesta época, o material mais trabalhado e usado, tal como acontecia no Paleolítico.
A pedra era, no entanto, melhor trabalhada, já que, depois de lhe ser dada forma, era polida, através da paciente fricção de uma pedra com outra ou areia. O polimento é uma das características que distingue os instrumentos deste período que se tornaram mais eficazes. Foi, igualmente, possível alargar a sua variedade e adequá-los às novas actividades ligadas à economia produtora.
Foi neste período que surgiram ou foram desenvolvidos a foice para ceifar os cereais, o machado para desbravar a terra, a enxada para preparar o solo e o pau – escavador para semear ou desenterrar os tubérculos. Por outro lado, continuou-se a fabricar setas, facas, arpões e raspadores imprescindíveis para a caça e a pesca.
Foi, também, no Neolítico que apareceram a mó, normalmente uma pedra chata, e o pilão ou moleta com que se esmagavam os grãos para o fabrico da farinha.
As Primeiras ConquistasA Bipedia
Há cerca de 15 milhões de anos, na África Oriental e do Sul, ocorreram importantes alterações climáticas que modificaram a paisagem e as condições de vida.
Em resultado do clima se ter tornado cada vez mais seco, os hominídeos, isto é, os antepassados do Homem, foram obrigados a abandonar a floresta, onde habitavam, e a viver na savana. Esta, mais despida de vegetação do que a floresta, obrigou o nosso mais remoto antepassado - o Australopiteco - a marchar sobre os pés (bipedia).
Com o decorrer dos tempos, a postura vertical tornou-se permanente levando a outras importantes alterações do corpo, em particular da mão e do crânio. A mão, progressivamente semelhante à nossa, permitiu ao nosso antepassado utilizar os instrumentos que possuía. Por outro lado, o crescimento do crânio proporcionou-lhe um cérebro maior, o que significou mais capacidade para resolver os problemas que teve de enfrentar.
Vantagens da bipedia para os primeiros hominídeos:
* Desenvolvimento da habilidade para o transporte de alimentos entre lugares
* Redução de pêlos sobre as áreas do corpo não expostas ao sol forte
* Liberação das mãos para diferentes usos ou para cuidar de filhotes
* Decréscimo do consumo de energia em caminhadas a velocidades normais
* Aumento do horizonte de visão e melhoria da protecção contra predadores
O Domínio do Fogo
Ao dominar o fogo, o Homem acreditou nas suas capacidades e preparou novas descobertas. De facto, a produção do fogo veio alterar, profundamente, os hábitos do homem primitivo e abrir-lhe caminho a outras inovações.
O Homo Erectus já sabia produzir o fogo. Com efeito, há mais de meio milhão de anos, esse antigo antepassado do homem já acendia fogueiras, como se comprova pelo facto de aparecerem vestígios de fogo em lugares por si habitados. Com esta invenção, o homem primitivo alterou, profundamente, a sua maneira de viver.
O domínio do fogo alterou a vida do homem primitivo pois veio permitir-lhe:
- Aperfeiçoar os instrumentos utilizados na caça e na pesca;
- Cozinhar os alimentos, até aí comidos crus;
- Defender-se melhor dos animais que o cercavam ou empurrá-los para os locais pretendidos;
- Iluminar as cavernas, de que ocasionalmente se servia, através da utilização da gordura dos animais que abatia;
Em conclusão, ao dominar o fogo, o Homem acreditou nas suas capacidades e preparou novas descobertas. De facto, a produção do fogo veio alterar, profundamente, os hábitos do homem primitivo e abrir-lhe caminho a outras inovações.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Revolução Russa- Burguesa e a Revolução Bolchevique
A desastrosa participação da Rússia na I Guerra Mundial provocou, o descontentamento geral das populações devido à falta de géneros, ao aumento de preços e ao elevado número de mortos e feridos.
Nos inícios de 1917, as forças políticas, que não concordavam com a política do czar, aproveitaram a insatisfação das massas populares e desencadearam uma série de greves e manifestações. Contando com o apoio do exército, forçaram o czar Nicolau II a abdicar e estabeleceram um governo provisório. Assim, com a Revolução de Fevereiro de 1917, puseram fim ao czarismo.
Entre Fevereiro e Outubro de 1917, a Rússia foi dirigida por governos provisórios, apoiados pela burguesia, que procuraram estabelecer um regime liberal e democrático semelhante ao dos países ocidentais. Entre outras medidas, libertaram os presos políticos e decidiram continuar a guerra contra a Alemanha, até à vitória final.
Paralelamente, constituiu-se em Petrogrado um outro poder - o dos sovietes. Estes, organizados nas grandes cidades, dominavam as fábricas e quartéis e defendiam soluções políticas diferentes, isto é, a instauração de uma sociedade socialista sem classes, em que os principais sectores da economia estariam na posse do Estado.
Assim, procuravam pôr em prática o marxismo-leninismo, isto é, as ideias de Marx e Engels adaptadas por Lenine à realidade russa. Em Outubro de 1917, Lenine e Trotsky (com o apoio dos bolcheviques) prepararam cuidadosamente a insurreição e na noite de 24 para 25 tomaram os pontos estratégicos da cidades e prenderam os ministros do governo provisório. Assim, vitoriosa a Revolução de Outubro de 1917, elegeu-se um novo governo, composto exclusivamente por bolcheviques e dirigido por Lenine.
O novo governo negociou a paz com a Alemanha, assinando o tratado de Brest-Litovsky, pelo qual a Rússia foi obrigada a pagar uma elevada indemnização à Alemanha e a aceitar a independência da Finlândia, Polónia, Estados Bálticos e Ucrânia.A aceitação do acordo de paz pela Rússia foi, para Lenine, o único meio de salvar a Revolução e construir a sociedade socialista de que era partidário. Contudo, o seu projecto encontrou muitas dificuldades de concretização, conhecendo períodos de avanço e de recuo.
A Construção da URSS
1ª Etapa o Comunismo de Guerra (1918-1921)
Após a Revolução de Outubro, a Rússia viveu tempos de anarquia - durante oito meses, os camponeses tomaram conta das terras e os operários apoderaram-se das fábricas.
Os russos que não concordavam com o novo regime (os chamados "russos brancos", isto é, os defensores da democracia parlamentar e os adeptos do regime czarista) receberam o apoio de forças estrangeiras (franceses, ingleses, japoneses, americanos, checos) e desencadearam a luta armada contra os "russos vermelhos" (os bolcheviques).
A dureza e a duração da guerra civil (1918-1921) obrigaram Lenine a tomaimec1idas económicas e sociais de emergência:nacionalizou a banca, o comércio e a indústria (em primeiro lugar a grande indústria, depois a indústria ligeira com mais de cinco operários e que utilizava força motriz);
requisitou os géneros agrícolas junto dos camponeses;
estabeleceu o Estado de partido único e suprimiu os restantes partidos (ditadura do proletariado);
utilizou o terror para impor as suas ideias.
Este conjunto de medidas de ordem económica e social, tomadas durante o período da guerra civil, é conhecido pelo nome de "comunismo de guerra". Através delas, Lenine procurou reorganizar a economia, garantir o abastecimento público e combater a contra-revolução.
Terminada a guerra civil (inícios de 1921) com a vitória dos bolcheviques, a Rússia encontrava-se numa situação de crise generalizada:
a produção industrial decaíra 13%, a produção agrícola diminuíra dramaticamente, os campos e as fábricas estavam arrasados ou abandonados. Após uma longa seca, uma terrível fome matou mais de cinco milhões de pessoas. Em algumas regiões, camponeses e marinheiros, descontentes, revoltaram-se mesmo contra o novo regime.
Assim, as medidas de Lenine não deram os resultados esperados. Por isso, na Primavera de 1921, o dirigente russo foi obrigado a adoptar uma "Nova Política Económica" - a NEP.
2ª Etapa - A_NEP
(Nova Política Económica (l921-1928)
Ás medidas tomadas por Lenine durante o "comunismo de guerra" não deram os resultados esperados. Com efeito, face à crise económica e ao mal-estar social, Lenine lançou uma Nova Política Económica (NEP) que, em algumas áreas, permitiu uma certa iniciativa privada.
Apesar do Estado conservar o monopólio dos grandes meios de produção, da banca, do comércio externo e dos principais sectores da indústria, a NEP estabeleceu claras medidas de liberdade económica, como:
a exploração privada da terra (em 1927, 98% da terra semeada pertencia a particulares);
a venda no mercado dos excedentes agrícolas pelos camponeses
a liberdade de produção industrial (as fábricas sem força motriz e com menos de vinte operários foram desnacionalizadas)e a venda livre de produtos dos artesãos;
a liberdade do comércio interno;
o livre investimento dos capitais estrangeiros na União Soviética.
O sucesso da NEP - que permitiu uma indiscutível recuperação económica do país - representou, contudo, um perigo para a construção do socialismo.
Com efeito, a iniciativa privada (a economia de mercado) estava em contradição com a doutrina socialista.
A liberalização da agricultura, da indústria e do comércio conduziu ao enriquecimento dos kullaks (burguesia rural) e dos nepmen (homens de negócios, comerciantes e industriais). Assim, surgiu o risco de uma sociedade de classes em oposição ao ideário socialista.
Em 1928, a União Soviética voltou a viver tempos difíceis, Com efeito, a subida dos preços agrícolas (em resultado das más colheitas) e a necessidade de desenvolver a indústria pesada (em vez da produção de bens de consumo) levaram o governo soviético a tomar novas e revolucionárias medidas.
A desastrosa participação da Rússia na I Guerra Mundial provocou, o descontentamento geral das populações devido à falta de géneros, ao aumento de preços e ao elevado número de mortos e feridos.
Nos inícios de 1917, as forças políticas, que não concordavam com a política do czar, aproveitaram a insatisfação das massas populares e desencadearam uma série de greves e manifestações. Contando com o apoio do exército, forçaram o czar Nicolau II a abdicar e estabeleceram um governo provisório. Assim, com a Revolução de Fevereiro de 1917, puseram fim ao czarismo.
Entre Fevereiro e Outubro de 1917, a Rússia foi dirigida por governos provisórios, apoiados pela burguesia, que procuraram estabelecer um regime liberal e democrático semelhante ao dos países ocidentais. Entre outras medidas, libertaram os presos políticos e decidiram continuar a guerra contra a Alemanha, até à vitória final.
Paralelamente, constituiu-se em Petrogrado um outro poder - o dos sovietes. Estes, organizados nas grandes cidades, dominavam as fábricas e quartéis e defendiam soluções políticas diferentes, isto é, a instauração de uma sociedade socialista sem classes, em que os principais sectores da economia estariam na posse do Estado.
Assim, procuravam pôr em prática o marxismo-leninismo, isto é, as ideias de Marx e Engels adaptadas por Lenine à realidade russa. Em Outubro de 1917, Lenine e Trotsky (com o apoio dos bolcheviques) prepararam cuidadosamente a insurreição e na noite de 24 para 25 tomaram os pontos estratégicos da cidades e prenderam os ministros do governo provisório. Assim, vitoriosa a Revolução de Outubro de 1917, elegeu-se um novo governo, composto exclusivamente por bolcheviques e dirigido por Lenine.
O novo governo negociou a paz com a Alemanha, assinando o tratado de Brest-Litovsky, pelo qual a Rússia foi obrigada a pagar uma elevada indemnização à Alemanha e a aceitar a independência da Finlândia, Polónia, Estados Bálticos e Ucrânia.A aceitação do acordo de paz pela Rússia foi, para Lenine, o único meio de salvar a Revolução e construir a sociedade socialista de que era partidário. Contudo, o seu projecto encontrou muitas dificuldades de concretização, conhecendo períodos de avanço e de recuo.
A Construção da URSS
1ª Etapa o Comunismo de Guerra (1918-1921)
Após a Revolução de Outubro, a Rússia viveu tempos de anarquia - durante oito meses, os camponeses tomaram conta das terras e os operários apoderaram-se das fábricas.
Os russos que não concordavam com o novo regime (os chamados "russos brancos", isto é, os defensores da democracia parlamentar e os adeptos do regime czarista) receberam o apoio de forças estrangeiras (franceses, ingleses, japoneses, americanos, checos) e desencadearam a luta armada contra os "russos vermelhos" (os bolcheviques).
A dureza e a duração da guerra civil (1918-1921) obrigaram Lenine a tomaimec1idas económicas e sociais de emergência:nacionalizou a banca, o comércio e a indústria (em primeiro lugar a grande indústria, depois a indústria ligeira com mais de cinco operários e que utilizava força motriz);
requisitou os géneros agrícolas junto dos camponeses;
estabeleceu o Estado de partido único e suprimiu os restantes partidos (ditadura do proletariado);
utilizou o terror para impor as suas ideias.
Este conjunto de medidas de ordem económica e social, tomadas durante o período da guerra civil, é conhecido pelo nome de "comunismo de guerra". Através delas, Lenine procurou reorganizar a economia, garantir o abastecimento público e combater a contra-revolução.
Terminada a guerra civil (inícios de 1921) com a vitória dos bolcheviques, a Rússia encontrava-se numa situação de crise generalizada:
a produção industrial decaíra 13%, a produção agrícola diminuíra dramaticamente, os campos e as fábricas estavam arrasados ou abandonados. Após uma longa seca, uma terrível fome matou mais de cinco milhões de pessoas. Em algumas regiões, camponeses e marinheiros, descontentes, revoltaram-se mesmo contra o novo regime.
Assim, as medidas de Lenine não deram os resultados esperados. Por isso, na Primavera de 1921, o dirigente russo foi obrigado a adoptar uma "Nova Política Económica" - a NEP.
2ª Etapa - A_NEP
(Nova Política Económica (l921-1928)
Ás medidas tomadas por Lenine durante o "comunismo de guerra" não deram os resultados esperados. Com efeito, face à crise económica e ao mal-estar social, Lenine lançou uma Nova Política Económica (NEP) que, em algumas áreas, permitiu uma certa iniciativa privada.
Apesar do Estado conservar o monopólio dos grandes meios de produção, da banca, do comércio externo e dos principais sectores da indústria, a NEP estabeleceu claras medidas de liberdade económica, como:
a exploração privada da terra (em 1927, 98% da terra semeada pertencia a particulares);
a venda no mercado dos excedentes agrícolas pelos camponeses
a liberdade de produção industrial (as fábricas sem força motriz e com menos de vinte operários foram desnacionalizadas)e a venda livre de produtos dos artesãos;
a liberdade do comércio interno;
o livre investimento dos capitais estrangeiros na União Soviética.
O sucesso da NEP - que permitiu uma indiscutível recuperação económica do país - representou, contudo, um perigo para a construção do socialismo.
Com efeito, a iniciativa privada (a economia de mercado) estava em contradição com a doutrina socialista.
A liberalização da agricultura, da indústria e do comércio conduziu ao enriquecimento dos kullaks (burguesia rural) e dos nepmen (homens de negócios, comerciantes e industriais). Assim, surgiu o risco de uma sociedade de classes em oposição ao ideário socialista.
Em 1928, a União Soviética voltou a viver tempos difíceis, Com efeito, a subida dos preços agrícolas (em resultado das más colheitas) e a necessidade de desenvolver a indústria pesada (em vez da produção de bens de consumo) levaram o governo soviético a tomar novas e revolucionárias medidas.
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