quarta-feira, 2 de abril de 2008

Revolução Russa- Burguesa e a Revolução Bolchevique

A desastrosa participação da Rússia na I Guerra Mundial provocou, o descontentamento geral das populações devido à falta de géneros, ao aumento de preços e ao elevado número de mortos e feridos.
Nos inícios de 1917, as forças políticas, que não concordavam com a política do czar, aproveitaram a insatisfação das massas populares e desencadearam uma série de greves e manifestações. Contando com o apoio do exército, forçaram o czar Nicolau II a abdicar e estabeleceram um governo provisório. Assim, com a Revolução de Fevereiro de 1917, puseram fim ao czarismo.

Entre Fevereiro e Outubro de 1917, a Rússia foi dirigida por governos provisórios, apoiados pela burguesia, que procuraram estabelecer um regime liberal e democrático semelhante ao dos países ocidentais. Entre outras medidas, libertaram os presos políticos e decidiram continuar a guerra contra a Alemanha, até à vitória final.

Paralelamente, constituiu-se em Petrogrado um outro poder - o dos sovietes. Estes, organizados nas grandes cidades, dominavam as fábricas e quartéis e defendiam soluções políticas diferentes, isto é, a instauração de uma sociedade socialista sem classes, em que os principais sectores da economia estariam na posse do Estado.

Assim, procuravam pôr em prática o marxismo-leninismo, isto é, as ideias de Marx e Engels adaptadas por Lenine à realidade russa. Em Outubro de 1917, Lenine e Trotsky (com o apoio dos bolcheviques) prepararam cuidadosamente a insurreição e na noite de 24 para 25 tomaram os pontos estratégicos da cidades e prenderam os ministros do governo provisório. Assim, vitoriosa a Revolução de Outubro de 1917, elegeu-se um novo governo, composto exclusivamente por bolcheviques e dirigido por Lenine.

O novo governo negociou a paz com a Alemanha, assinando o tratado de Brest-Litovsky, pelo qual a Rússia foi obrigada a pagar uma elevada indemnização à Alemanha e a aceitar a independência da Finlândia, Polónia, Estados Bálticos e Ucrânia.A aceitação do acordo de paz pela Rússia foi, para Lenine, o único meio de salvar a Revolução e construir a sociedade socialista de que era partidário. Contudo, o seu projecto encontrou muitas dificuldades de concretização, conhecendo períodos de avanço e de recuo.

A Construção da URSS
1ª Etapa o Comunismo de Guerra (1918-1921)
Após a Revolução de Outubro, a Rússia viveu tempos de anarquia - durante oito meses, os camponeses tomaram conta das terras e os operários apoderaram-se das fábricas.
Os russos que não concordavam com o novo regime (os chamados "russos brancos", isto é, os defensores da democracia parlamentar e os adeptos do regime czarista) receberam o apoio de forças estrangeiras (franceses, ingleses, japoneses, americanos, checos) e desencadearam a luta armada contra os "russos vermelhos" (os bolcheviques).
A dureza e a duração da guerra civil (1918-1921) obrigaram Lenine a tomaimec1idas económicas e sociais de emergência:nacionalizou a banca, o comércio e a indústria (em primeiro lugar a grande indústria, depois a indústria ligeira com mais de cinco operários e que utilizava força motriz);
requisitou os géneros agrícolas junto dos camponeses;
estabeleceu o Estado de partido único e suprimiu os restantes partidos (ditadura do proletariado);
utilizou o terror para impor as suas ideias.

Este conjunto de medidas de ordem económica e social, tomadas durante o período da guerra civil, é conhecido pelo nome de "comunismo de guerra". Através delas, Lenine procurou reorganizar a economia, garantir o abastecimento público e combater a contra-revolução.

Terminada a guerra civil (inícios de 1921) com a vitória dos bolcheviques, a Rússia encontrava-se numa situação de crise generalizada:

a produção industrial decaíra 13%, a produção agrícola diminuíra dramaticamente, os campos e as fábricas estavam arrasados ou abandonados. Após uma longa seca, uma terrível fome matou mais de cinco milhões de pessoas. Em algumas regiões, camponeses e marinheiros, descontentes, revoltaram-se mesmo contra o novo regime.

Assim, as medidas de Lenine não deram os resultados esperados. Por isso, na Primavera de 1921, o dirigente russo foi obrigado a adoptar uma "Nova Política Económica" - a NEP.


2ª Etapa - A_NEP
(Nova Política Económica (l921-1928)

Ás medidas tomadas por Lenine durante o "comunismo de guerra" não deram os resultados esperados. Com efeito, face à crise económica e ao mal-estar social, Lenine lançou uma Nova Política Económica (NEP) que, em algumas áreas, permitiu uma certa iniciativa privada.

Apesar do Estado conservar o monopólio dos grandes meios de produção, da banca, do comércio externo e dos principais sectores da indústria, a NEP estabeleceu claras medidas de liberdade económica, como:

a exploração privada da terra (em 1927, 98% da terra semeada pertencia a particulares);
a venda no mercado dos excedentes agrícolas pelos camponeses
a liberdade de produção industrial (as fábricas sem força motriz e com menos de vinte operários foram desnacionalizadas)e a venda livre de produtos dos artesãos;
a liberdade do comércio interno;
o livre investimento dos capitais estrangeiros na União Soviética.

O sucesso da NEP - que permitiu uma indiscutível recuperação económica do país - representou, contudo, um perigo para a construção do socialismo.
Com efeito, a iniciativa privada (a economia de mercado) estava em contradição com a doutrina socialista.
A liberalização da agricultura, da indústria e do comércio conduziu ao enriquecimento dos kullaks (burguesia rural) e dos nepmen (homens de negócios, comerciantes e industriais). Assim, surgiu o risco de uma sociedade de classes em oposição ao ideário socialista.
Em 1928, a União Soviética voltou a viver tempos difíceis, Com efeito, a subida dos preços agrícolas (em resultado das más colheitas) e a necessidade de desenvolver a indústria pesada (em vez da produção de bens de consumo) levaram o governo soviético a tomar novas e revolucionárias medidas.

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